Pensamentos mais-que-imperfeitos!


01/05/2008


Minha homenagem ao povo brasileiro

Hoje é dia do trabalho. Neste dia tão especial, escreverei um texto relatando um episódio em homengem ao povo brasileiro, este povo honesto e trabalhador.

 

Um dia desses, um jornal noticiou um fato muito interessante.

 

Em um município qualquer, que me escapa da memória, dois homens assaltaram um estabelecimento comercial de um sujeito muito querido na região.

 

Após recolherem o dinheiro e fugirem do estabelecimento, começaram a ser perseguidos pelas pessoas que presenciaram o assalto, aos gritos de "Pega, ladrão!"

 

Logo, uma grande massa foi se juntando, a cada esquina que os assaltantes corriam da população.

 

Um grande coro de "Pega, ladrão!". Um imenso coro de pessoas com sede de justiça.

 

Durante a fuga, os assaltantes além de serem perseguidos, deram o azar de topar com uma viatura policial.

 

Uma viatura que chamou outras, outras, e outras.

 

Agora os ladrões eram perseguidos por uma imensa massa e por diversas viaturas.

 

O sentimento da busca pela justiça, representado pela população, e a lei, representada pela polícia, convergiram no objetivo de capturar os dois homens.

 

O que poderiam fazer? Parecia tudo perdido.

 

Porém, prevendo a iminência de serem pegos e talvez em busca de se livrarem do produto do roubo, para terem ao menos alguma chance de no mundo das ínfimas possibilidades não serem presos em flagrante, os ladrões resolveram tomar uma atitude. Já ofegantes, não agüentando mais correr, jogaram todo o dinheiro que roubaram para cima.

 

O vento foi espalhando o dinheiro, pelas vias públicas. Espalhando, espalhando.

 

E a busca aos homens parecia ter cessado, por parte da população, pois a mesma passou a se estapear na busca pelo dinheiro esvoaçante.

 

Logo, as ruas por onde as notas voavam foram todas tomadas, o caos foi instaurado na medida em que o dinheiro ia sendo espalhado pelo vento, e nem a polícia conseguia mais perseguir os bandidos.

 

Agora, a polícia tinha que conter a população, que já que esta tinha esquecido da sua sede de justiça, e voava desesperada em cima do dinheiro.

 

Enquanto isso, os assaltantes sumiram. E os policiais ficaram perdidos no meio daquilo tudo.

 

Um bom analista, daqueles que confiam na honestidade do povo trabalhador brasileiro, poderia dizer:

 

"Mas é óbvio que eles esqueceram dos bandidos. O objetivo principal era recuperar o dinheiro roubado e devolver ao dono. Como os bandidos jogaram o dinheiro para o alto, logicamente a prioridade seria pegar o dinheiro."

 

Ledo engano.

 

Dos cerca de R$ 10 mil roubados pelos assaltantes e depois jogados pelas ruas, apenas a quantia de R$ 12,00 voltou ao bolso do dono do estabelecimento que sofreu o assalto.

 

Talvez a pessoa que devolveu o dinheiro seja um sujeito desses bobos, que não sabe levar vantagem em tudo, coitado.

 

O fato é que o resto do dinheiro simplesmente escafedeu-se. Evaporou. Sumiu.

 

E eu, na minha ingenuidade, fico me perguntado: Qual a diferença do povo para os bandidos, neste caso?

 

Nenhuma, creio eu.

 

Ah, sim. Existe.

 

A diferença é que o povo simplesmente não teve oportunidade e nem coragem, como os assaltantes tiveram, para assaltar um estabelecimento.

 

Mas no fundo, todos tem a mesma alma: Alma de marginal.

 

O povo só é mais medroso, apenas isso.

 

Esse é mais um episódio que complica o mito do brasileiro honesto e trabalhador.

 

Na verdade, quando Rousseau disse que o homem é bom por natureza, certamente não analisou nenhum brasileiro.

 

Pois para ser "bom" nestes trópicos, é preciso lutar contra a natureza. E agüentar ser chamado de imbecil, é claro.

 

Feliz dia do trabalho ao povo brasileiro, este povo trabalhador.

Escrito por Dostuc às 13h32
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