Judeus não comemoram Natal. Muçulmanos não comemoram Natal. Hindus não comemoram Natal. Dois terços da população mundial não comemoram Natal. Boa parte do mundo sequer acredita em Deus.
Jesus não nasceu dia 25 de dezembro. E mesmo que tivesse nascido, a meia-noite do Natal no horário de Londres, Paris ou Brasília, é diferente da meia-noite de Belém. E ainda estamos em horário de verão...
Papai Noel não existe. Renas não voam. Duendes só a Xuxa, alguns irlandeses e outros jovens que tomaram chá de cogumelo viram.
Mas nada disso importa. E isso que é fascinante no Natal. Tudo faz sentido, não importa o que for.
É tempo de acreditar, por que não?
Tempo de abraçar aqueles parentes mais enjoados e parar de questionar ao menos um dia como uma criança pode nascer de uma mulher virgem.
Então, feliz Natal. Dia 26 tudo volta ao normal.
Natal
(Vinicius de Moraes- Que era ateu, diga-se...)
De repente o sol raiou
E o galo cocoricou:
– Cristo nasceu!
O boi, no campo perdido
Soltou um longo mugido:
– Aonde? Aonde?
Com seu balido tremido
Ligeiro diz o cordeiro:
– Em Belém! Em Belém!
Eis senão quando, num zurro
Se ouve a risada do burro:
– Foi sim que eu estava lá!
E o papagaio que é gira
Pôs-se a falar: – É mentira!
Os bichos de pena, em bando
Reclamaram protestando.
O pombal todo arrulhava:
– Cruz credo! Cruz credo!
Brava a arara a gritar começa:
– Mentira? Arara. Ora essa!
– Cristo nasceu! – canta o galo.
– Aonde? – pergunta o boi.
– Num estábulo! – o cavalo
Contente rincha onde foi.
Bale o cordeiro também:
– Em Belém! Mé! Em Belém
E os bichos todos pegaram
O papagaio caturra
E de raiva lhe aplicaram
Uma grandíssima surra.


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