Pensamentos mais-que-imperfeitos!


21/02/2007


Vou festejar, Mangueira!

Eu não pude assistir ao desfile da Mangueira neste ano. Deixei gravado para assistir, mas até perdi a vontade. Não pela vitória da Beija-Flor, a escola mais nojenta de todos os tempos, mas pelos fatos que cercaram o desfile da Estação Primeira.

 


Primeiramente a ausência do mestre Jamelão, que ainda se recupera de um recente AVC. Só isso, por si, já indicava que as coisas não iriam bem. Mas não foi só.

 

A tradicional escola de samba simplesmente escolheu Preta Gil como Rainha de Bateria. Pior que isso só se escolhesse uma ex-BBB ou ex-namorada-de-jogador-de-futebol-ou-pagodeiro.

 

Mas, como diria um personagem do excelente filme "Xeque-Mate", as desgraças costumam vir em três, e a terceira foi algo realmente lamentável: a expulsão ríspida de Beth Carvalho de um carro alegórico feita por um dos diretores da escola. A imprensa não informou, mas pelo vídeo eu acho que foi Raymundo de Castro, diretor do departamento financeiro da Estação Primeira. Se foi ele ou não, o ato foi simplesmente ridículo, lamentável, desnecessário. A Mangueira sempre foi uma paixão nacional, e Beth foi uma verdadeira embaixatriz da verde-e-rosa em toda a sua vida. E assim foi tratada.

 

As lágrimas de Beth surtiram em mim um efeito de desgosto, e fiquei indiferente com a derrota da Mangueira neste ano. Mais que justa. Independentemente de como tenha sido o desfile tecnicamente, a atitude tomada em relação à Beth Carvalho foi uma das posturas mais abjetas que já pude presenciar. E não teria momento mais apropriado para Beth Carvalho cantar uma música que ficou eternizada em sua voz chamada "Vou festejar", de Neco, Dida e Jorge Aragão. E eu cantaria com ela, se pudesse.

 

Chora, não vou ligar
Chegou a hora
Vai me pagar
Pode chorar, pode chorar


 

É, o teu castigo
Brigou comigo
Sem ter porquê
Vou festejar, vou festejar
O teu sofrer, o teu penar


 

Você pagou com traição
A quem sempre lhe deu a mão
Você pagou com traição
A quem sempre lhe deu a mão

Escrito por Dostuc às 00h41
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Sobre meninos e lobos

Em uma quarta-feira, por volta das 21hs, no subúrbio do Rio de Janeiro, Rosa Cristina foi abordada por assaltantes, quando estava em seu carro. Dentro do veículo, além de Rosa estavam seus dois filhos, João Hélio, de 6 anos, e Aline, de 13.

 

Os assaltantes ordenaram que todos deixassem o veículo. Ao sair, Rosa tentou retirar o seu filho João Hélio que estava no banco de trás, todavia, mesmo tirando o filho do carro, ele estava preso no cinto de segurança, momento em que os assaltantes deram partida no carro, com o menino pendurado do lado de fora.
Deu-se início aos fatos que chocaram todas as pessoas que deles tomaram conhecimento. Arrastado por sete quilômetros, o que sobrou de João Hélio foram apenas alguns pedaços de carne retalhada pelo asfalto. Poucas horas depois, os assaltantes foram identificados, e um deles era menor de idade. Era o princípio das dores.

 

O martírio do garoto carioca, e o grau de estupidez e barbaridade em que a sua vida foi levada a cabo, produziu efeitos tão ou mais estúpidos e bárbaros que a mesma. Imediatamente, levantaram-se vozes de verdadeiros alienados mentais clinicamente conscientes, trazendo as soluções para a satisfação de suas respectivas sedes de vingança.

 

Logo pediram a pena de morte,  a redução da maioridade penal (alguns mais infantis defenderam até a extinção da mesma), o aumento do tempo de internação para menores.

 

Que os familiares das vítimas tenham isto na mente, é plenamente justificável e humano. Agora, ser esse um sentimento popular, e principalmnente dos setores que se julgam esclarecidos, é mais uma prova de como a idiotice é generalizada no Brasil.

 

Em um sistema carcerário falido, com falta de vagas, superlotado e sub-humano, as vozes dos biltres clamam pela redução da maioridade penal para estender ainda mais o número dos que serão agraciados com a custódia do Estado. Ali deve ser um ótimo lugar para se ressocializar adolescentes infratores.
Ainda, questionam com um cinismo que merece como carinho um murro, porque um interno "Só fica três anos, é muito pouco...", e esquecem de se questionar porque o interno NÃO SE RECUPERA nestes três anos.

 

Fica mais que claro que o maior problema do Brasil não são as leis, e sim a falta de cumprimento delas. E o pior ainda é quando querem usá-la como instrumento de massacre ao futuro da nação que são os adolescentes e crianças de hoje. Eles estão cometendo barbaridades? Certamente. Tem deveres com a Sociedade? Certamente. Mas onde está o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente? E, o mais importante, onde está a fiscalização da população para que isso se realize? Ou vamos apenas cobrar destes jovens que exerçam seus deveres, sem dar-lhes direitos? Bem mais fácil falar: "Ah, a culpa é da lei...", e virar a cara para os fatos sociais que criam verdadeiras personalidades desprovidas de sentimentos.

 

Mas, de que adianta dizer? Os nossos legisladores, deputados e senadores, quando não estão vampirando e sanguessugando procuram agradar aos imbecis, e eis que nascem as aberrações legislativas. Como se tudo ficasse bem, a partir da publicação de tais "Reformas legislativas".

 

Tudo isso me faz (e deve fazer à toda  a pessoa de bom senso, suponho eu) me sentir arrastado como o menino João Hélio a cada vez que ligo a TV, a cada vez que leio um periódico, a cada vez que ouço algum comentário nas ruas. Eu sofro as chagas de João.

 

É fácil, muito mais fácil, prender do que educar. O problema é que o futuro sempre chega. O novo sempre vem. E querem moldar  o novo em uma prisão, não em uma escola. Não será difícil saber como ficaremos.

 

 

Escrito por Dostuc às 00h39
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