Eu não pude assistir ao desfile da Mangueira neste ano. Deixei gravado para assistir, mas até perdi a vontade. Não pela vitória da Beija-Flor, a escola mais nojenta de todos os tempos, mas pelos fatos que cercaram o desfile da Estação Primeira.
Primeiramente a ausência do mestre Jamelão, que ainda se recupera de um recente AVC. Só isso, por si, já indicava que as coisas não iriam bem. Mas não foi só.
A tradicional escola de samba simplesmente escolheu Preta Gil como Rainha de Bateria. Pior que isso só se escolhesse uma ex-BBB ou ex-namorada-de-jogador-de-futebol-ou-pagodeiro.
Mas, como diria um personagem do excelente filme "Xeque-Mate", as desgraças costumam vir em três, e a terceira foi algo realmente lamentável: a expulsão ríspida de Beth Carvalho de um carro alegórico feita por um dos diretores da escola. A imprensa não informou, mas pelo vídeo eu acho que foi Raymundo de Castro, diretor do departamento financeiro da Estação Primeira. Se foi ele ou não, o ato foi simplesmente ridículo, lamentável, desnecessário. A Mangueira sempre foi uma paixão nacional, e Beth foi uma verdadeira embaixatriz da verde-e-rosa em toda a sua vida. E assim foi tratada.
As lágrimas de Beth surtiram em mim um efeito de desgosto, e fiquei indiferente com a derrota da Mangueira neste ano. Mais que justa. Independentemente de como tenha sido o desfile tecnicamente, a atitude tomada em relação à Beth Carvalho foi uma das posturas mais abjetas que já pude presenciar. E não teria momento mais apropriado para Beth Carvalho cantar uma música que ficou eternizada em sua voz chamada "Vou festejar", de Neco, Dida e Jorge Aragão. E eu cantaria com ela, se pudesse.
Chora, não vou ligar
Chegou a hora
Vai me pagar
Pode chorar, pode chorar
É, o teu castigo
Brigou comigo
Sem ter porquê
Vou festejar, vou festejar
O teu sofrer, o teu penar
Você pagou com traição
A quem sempre lhe deu a mão
Você pagou com traição
A quem sempre lhe deu a mão


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