
Um dos escritores que eu sempre admirei profundamente foi Oscar Wilde, escritor do século XIX. Tanto pela sua vida sofrida, e mais ainda pela sua obra.
Antigo freqüentador dos grandes círculos da nobreza, conhecendo a glória do reconhecimento literário em vida, ele acabou morrendo no ostracismo, pobre e solitário. Oscar Wilde, para quem não sabe, era homossexual, e ficou em torno de dois anos na prisão por conta disso. A sua morte ocorreu pouco após a sua liberdade.
Hoje, os seus restos mortais estão no cemitério de Père Lachaise, em Paris. Cemitério, aliás, que um dia visitarei, onde também estão os restos mortais de Balzac, Jim Morrison, Proust, dentre outros gênios. Um dia tirarei fotos ao lado de todos estes túmulos.
Voltemos a Wilde. Este irlandês certamente é leitura obrigatória para os amantes da literatura. Seja por "O retrato de Dorian Gray", o seu romance mais conhecido, seja pelos seus ensaios como "A decadência da mentira", ou até por suas obras políticas como "A alma do homem sobre o socialismo". Em seu acervo literário, até entrou uma longa carta, que ele escreveu quando estava preso, de recriminações, mágoas e perdão para o seu namorado, "Bosie", a causa de toda a sua desgraça, e que foi intitulada "De Profundis".
Em minha opinião, na literatura Universal, ninguém teve a capacidade de proferir máximas tão brilhantes (nem Pascal!) como ele. Frases como "As mulheres não foram feitas para serem compreendidas e sim para serem amadas", "Resisto a tudo, menos a uma tentação" e "A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é cedermos a ela.", "Quem, sendo amado, é pobre?", "Devemos ser modestos e lembrar-nos de que os outros são inferiores a nós.", só poderiam ser fruto de uma inteligência retumbante como a de Wilde.
Além disso, não poderia deixar de destacar que a grande parte da obra da Wilde está nos contos. São vários, com um tom de ironia típíca do realismo literário. Wilde até disse, certa vez, que buscava conselho com um amigo no início de sua carreira sobre qual ramo seguir, a prosa ou o verso. No que o seu amigo respondeu que aconselhava que ele enredasse pela prosa, pois era algo bem mais difícil que o verso. Foi o que Wilde seguiu.
Polêmicas à parte, eu só tenho a dizer que a literatura perdeu muito com o quase abandono de Wilde com relação aos versos. Isso se torna óbvio quando lemos um de seus poucos versos, como "A Balada do Cárcere de Reading", que é uma das mais belas poesias já feitas. Aliás, esta "Balada" foi a segunda razão de eu ter feito este texto todo sobre Oscar. A primeira foi para corrigir uma injustiça que cometi com ele (assim como com Nietzsche, Voltaire, Dostoiévski, Tolstói...) de nunca ter feito um post sequer em sua homenagem. Busco, assim, a redenção pela minha tolice. A tolice, este pecado capital.
Colocarei um trecho desta "Balada". Recomendo que comprem e a leiam por completo, assim como qualquer escrito de Wilde. Toda a leitura de Oscar faz a alma agradecer.
"(...)Contudo os homens matam o que amam
Seja por todos isto ouvido,
Alguns o fazem com acerbo olhar,
Outros com frases de lisonja,
O covarde assassina com um beijo,
O bravo mata com um punhal!
Uns matam seu amor, quando são jovens,
Outros quando velhos estão;
Com as mãos do Desejo uns estrangulam
Outros do Ouro com as mãos;
Os de mais compaixão usam a faca,
O morto assim logo se esfria.
Uns amam pouco tempo, outros demais;
Este o amor compra, aquele o vende;
Uns matam a chorar, com muitas lágrimas,
Outros sem mesmo suspirar:
Porque cada um de nós mata o que ama,
Mas nem todos hão de morrer (...)"












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