Pensamentos mais-que-imperfeitos!


06/01/2007


"Só há um pecado: ser tolo." (Oscar Wilde)

 

Um dos escritores que eu sempre admirei profundamente foi Oscar Wilde, escritor do século XIX. Tanto pela sua vida sofrida, e mais ainda pela sua obra.

 

Antigo freqüentador dos grandes círculos da nobreza, conhecendo a glória do reconhecimento literário em vida, ele acabou morrendo no ostracismo, pobre e solitário. Oscar Wilde, para quem não sabe, era homossexual, e ficou em torno de dois anos na prisão por conta disso.  A sua morte ocorreu pouco após a sua liberdade.

 

Hoje, os seus restos mortais estão no cemitério de Père Lachaise, em Paris. Cemitério, aliás, que um dia visitarei, onde também estão os restos mortais de Balzac, Jim Morrison, Proust, dentre outros gênios. Um dia tirarei fotos ao lado de todos estes túmulos.

 

Voltemos a Wilde. Este irlandês certamente é leitura obrigatória para os amantes da literatura. Seja por "O retrato de Dorian Gray", o seu romance mais conhecido, seja pelos seus ensaios como "A decadência da mentira", ou até por suas obras políticas como "A alma do homem sobre o socialismo". Em seu acervo literário, até entrou uma longa carta, que ele escreveu quando estava preso, de recriminações, mágoas e perdão para o seu namorado, "Bosie", a causa de toda a sua desgraça, e que foi intitulada "De Profundis".

 

Em minha opinião, na literatura Universal, ninguém teve a capacidade de proferir máximas tão brilhantes (nem Pascal!) como ele. Frases como "As mulheres não foram feitas para serem compreendidas e sim para serem amadas", "Resisto a tudo, menos a uma tentação" e "A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é cedermos a ela.", "Quem, sendo amado, é pobre?", "Devemos ser modestos e lembrar-nos de que os outros são inferiores a nós.", só poderiam ser fruto de uma inteligência retumbante como a de Wilde.

 

Além disso, não poderia deixar de destacar que a grande parte da obra da Wilde está nos contos. São vários, com um tom de ironia típíca do realismo literário. Wilde até disse, certa vez, que buscava conselho com um amigo no início de sua carreira sobre qual ramo seguir, a prosa ou o verso. No que o seu amigo respondeu que aconselhava que ele enredasse pela prosa, pois era algo bem mais difícil que o verso. Foi o que Wilde seguiu.

 

Polêmicas à parte, eu só tenho a dizer que a literatura perdeu muito com o quase abandono de Wilde com relação aos versos. Isso se torna óbvio quando lemos um de seus poucos versos, como "A Balada do Cárcere de Reading", que é uma das mais belas poesias já feitas. Aliás, esta "Balada" foi a segunda razão de eu ter feito este texto todo sobre Oscar. A primeira foi para corrigir uma injustiça que cometi com ele (assim como com Nietzsche, Voltaire, Dostoiévski, Tolstói...) de nunca ter feito um post sequer em sua homenagem. Busco, assim, a redenção pela minha tolice. A tolice, este pecado capital.

 

Colocarei um trecho desta "Balada". Recomendo que comprem e a leiam por completo, assim como qualquer escrito de Wilde. Toda a leitura de Oscar faz a alma agradecer.


 

"(...)Contudo os homens matam o que amam
Seja por todos isto ouvido,
Alguns o fazem com acerbo olhar,
Outros com frases de lisonja,
O covarde assassina com um beijo,
O bravo mata com um punhal!

 

Uns matam seu amor, quando são jovens,
Outros quando velhos estão;
Com as mãos do Desejo uns estrangulam
Outros do Ouro com as mãos;
Os de mais compaixão usam a faca,
O morto assim logo se esfria.

 

Uns amam pouco tempo, outros demais;
Este o amor compra, aquele o vende;
Uns matam a chorar, com muitas lágrimas,
Outros sem mesmo suspirar:
Porque cada um de nós mata o que ama,
Mas nem todos hão de morrer (...)"

Escrito por Dostuc às 12h40
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05/01/2007


Meu desejo

(Álvares de Azevedo)




Meu desejo? era ser a luva branca
Que essa tua gentil mãozinha aperta:
A camélia que murcha no teu seio,
O anjo que por te ver do céu deserta....
 


Meu desejo? era ser o sapatinho
Que teu mimoso pé no baile encerra....
A esperança que sonhas no futuro,
As saudades que tens aqui na terra....
 


Meu desejo? era ser o cortinado
Que não conta os mistérios do teu leito;
Era de teu colar de negra seda
Ser a cruz com que dormes sobre o peito.
 


Meu desejo? era ser o teu espelho
Que mais bela te vê quando deslaças
Do baile as roupas de escomilha e flores
E mira-te amoroso as nuas graças!
 


Meu desejo? era ser desse teu leito
De cambraia o lençol, o travesseiro
Com que velas o seio, onde repousas,
Solto o cabelo, o rosto feiticeiro....
 


Meu desejo? era ser a voz da terra
Que da estrela do céu ouvisse amor!
Ser o amante que sonhas, que desejas
Nas cismas encantadas de languor!

Escrito por Dostuc às 10h05
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04/01/2007


Donatien

E vamos ler dois contos do Divino Marquês...

 

Enganai-me Sempre Assim
(Marquês de Sade)


 

No mundo há poucos seres tão libertinos quanto o cardeal de..., do qual, considerando-se que ainda seja homem saudável e vigoroso, permiti-me guardar o nome em segredo. Sua eminência tem um acordo feito em Roma com uma dessas mulheres cuja profissão oficiosa é fornecer aos devassos objetos necessários ao alimento de suas paixões; todas as manhãs ela leva até ele uma jovem de no máximo treze a catorze anos, a qual monsenhor só usufrui da maneira incoveniente com que os italianos não raro se deliciam, de modo que a vestal, saindo das mãos de Sua Grandeza tão virgem quanto antes, possa, uma segunda vez, ser vendida como nova a algum libertino mais decente. A matrona, totalmente a par da máximas do cardeal, não encontrando certo dia, a seu alcance, o objeto cotidiano o qual era obrigação sua fornecer, imaginou travestir como uma menina um belíssimo menino do coro da igreja do chefe dos apóstolos; colocaram-lhe uma peruca, uma touca, saiotes, e todo o aparato falso que se devia impor ao santo homem de Deus. todavia, não se lhe pôde conferir o que realmente ter-lhe-ia assegurado semelhança total com o sexo que ele imitava; mas essa circunstância muito pouco embaraçava a alcoviteira...

- Ele não pôs as mãos lá nestes dias, - dizia àquela dentre suas companheiras que a ajudava na trapaça - ele só visitará, com toda a certeza, o que assemelha essa criança a todas as meninas do universo; assim, nada devemos temer...

 

A mãezinha se equivocara; decerto ignorava que um cardeal italiano era homem de tato muito delicado, a gosto apurado o bastante para se enganar em semelhantes coisas; chega a vítima, o grande padre a imola, mas ao estremecer pela terceira vez:

 

- Per Dio santo, - exclama o homem de Deus - sono ingannato, queto bambino è ragazzo, mai non fu putana!

 

E ele verifica... Contudo, nada acontecendo de muito embaraçoso para um habitante da santa cidade nesse lance aventuroso, sua eminência prossegue, dizendo, talvez, como esse camponês a quem se serviu trufas como batatas: Enganai-me sempre assim. Mas quando a operação terminou:

 

- Senhora, - diz ele à aia - não vos censuro por vossa confusão.

 

- Monsenhor, desculpai-me.

 

- Como vos disse, não vos censuro, mas quando isso acontecer-vos de novo, não deixai de advertir-me, porque... o que eu não vir no primeiro momento, verei neste aqui.


 

O Esposo Complacente
(Marquês de Sade)

 

Toda a França sabia que o príncipe de Bauffremont tinha mais ou menos as mesmas preferências do cardeal de quem acabo de falar. Haviam dado a ele em matrimônio uma mocinha assaz inexperiente, e que, segundo era costume, só foi instruída às vésperas.

 

- Sem mais explicações, - diz a mãe - pois que a decência me impede de ocupar-me de certos pormenores, tenho uma única coisa a recomendar-vos, minha filha; desconfiai das primeiras propostas que vosso marido vos fizer, e dizei-lhe, veemente: Não, senhor, não é por aí que se aborda uma mulher honesta; em qualquer outro lugar que vos agrade, mas, certamente, aí não...

 

Vão ao leito e, por uma norma do decoro e da honestidade sem margem para dúvida, o príncipe, querendo fazer as coisas conforme com os costumes, ao menos pela primeira vez, oferece à sua mulher apenas os castos prazeres do himeneu: mas a jovem bem educada, lembrando de sua lição:

 

- Por quem me tomais, senhor? - diz-lhe - pensais que eu consetiria essas coisas? Em qualquer lugar que vos agrade, mas, certamente, aí não...

 

- Mas senhora...

 

- Não, senhor, inútil insistirdes, nunca me fareis mudar de opinião.

 

- Pois bem, senhora, devo contentar-vos, - diz o príncipe apropriando-se de seus altares preferidos - eu ficaria bem zangado se dissessem que alguma vez eu quis vos desagradar.

 

E venham nos dizer agora que não é necessário instruir as moças quanto às obrigações delas, um dia, para com seus maridos!

Escrito por Dostuc às 13h31
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03/01/2007


Divagações e Saudade

 

É, meus amigos, só resta uma certeza: é preciso acabar com essa tristeza, é preciso inventar de novo amor. Mas, só vocês sabiam...

Escrito por Dostuc às 08h25
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Sobre a beleza feminina

Logo no início da poesia "Receita de Mulher", Vinicius de Moraes recita uns versos que se tornariam célebres: "As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental". Impossível alguém que já não tenha visto um homem (principalmente) recitando estes versos para justificar suas escolhas, ou mulheres não tão esteticamente favorecidas desconfortadas ao ouvirem tais versos.

 

Mas, afinal, o que é a beleza feminina? É um valor objetivo? Ao menos é o que tenta passar a mídia.

 

Esta discussão não é meramente bizantina. Ela ganha importância principalmente quando vemos casos de mulheres acometidas pela anorexia, bulimia, dentre outras doenças que tem como causa propulsora a ânsia pela beleza, ganhando os jornais. 

 

Talvez a maior tentativa da criação de um padrão universal de beleza seja o famigerado "Mundo da Moda". Neste mundo, a beleza é passada à régua e matematicamente definida, devendo as mulheres não terem nenhum tipo de gordura sobrando nos espaços do corpo, e rostos simétricos, não sendo perdoadas aquelas mulheres que saiam de tais padrões.

 

É claro, ainda é dada uma outra opção para as mulheres entrarem no grupo das belas (ao menos no Brasil), continuando o mesmo raciocínio da beleza como algo objetivo: tornar-se uma "gostosa". Este mundo também é bem restrito.  Mulheres que não possuem quadris avantajados, barrigas bem definidas,seios firmes, e eventuais marquinhas de biquíni, não costumam serem aceitas.

 

Todos estes pré-requisitos demonstrados, apenas demonstram o equívoco em que a sociedade ocidental mergulha cada vez mais fundo. Afinal, não é preciso ir muito longe em comparações culturais no próprio ocidente para chegarmos à conclusão de que o conceito de uma mulher bonita, é extremamente variável. Clássico é o exemplo de Vênus, deusa vista como um paradigma de beleza, e que hoje é definida apenas como uma "gorda". Importante lembrar que os gregos e os romanos cultuavam de forma obssessiva a beleza, em padrões até patológicos. E, mesmo assim, em menos de dois mil anos tivemos uma variação abrupta neste conceito. Ou seja, é mais que clara a conclusão de que a beleza feminina não é algo objetivo.

 

Mas, o que seria a beleza? Acima de tudo, algo aprazível, independente de padrões. Não há como denominar o desagradável como belo.

 

Sendo a beleza algo subjetivo, ganha cena a questão de como os conceitos da subjetividade são formados. E nisto reside a maior chaga. Preponderantemente, eles são formados pelos conceitos extraídos da sociedade. E, em uma era em que a mídia e a publicidade são tão presentes, praticamente são impostos. E assim se define uma mulher bonita nas mentalidades.

 

Subvertidas por esta "ditadura", as mulheres simplesmente buscam ingressar nos grupos supracitados, e as poucas que tentam contrariá-los, são prontamente rechaçadas pelas escolhas masculinas. Homens que, por sua vez, policiam os outros homens que ousam sair destes padrões em suas escolhas.

 

Mas, qual seria a solução para a libertação das mulheres destes cruéis grilhões? Eu não sei. Apenas sei que tudo isso é um sinal indubitável da falta de amor.  E também da falta de leitura. Pois, se lessem o restante da poesia do Vinicius, veriam que existem outras coisas também importantes em uma mulher. De minha parte, vou deixá-la aqui.

 

 

Receita de mulher

 

As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso que súbito
Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso, é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como o âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos, então
Nem se fala, que olhem com certa maldade inocente. Uma boca
Fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar as pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteia em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mais que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebal
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas bem haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto sensível à carícia em sentido contrário.
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!)
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos. A pele deve ser fresca nas mãos, nos braços, no dorso e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior
A 37º centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras
Do primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se se fechar os olhos
Ao abri-los ela não mais estará presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.


 

"Senão, é como amar uma mulher só linda: E daí? Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza. Qualquer coisa de triste. Qualquer coisa que chora. Qualquer coisa que sente saudade. Um molejo de amor machucado. Uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher, feita apenas para amar, para sofrer pelo seu amor e ser só perdão" (Vinicius de Moraes, "Samba da Benção")

 

Escrito por Dostuc às 07h50
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01/01/2007


Minha trilha sonora

É claro, o ano não pode começar sem música. E a música que eu elejo para 2007, para ser o meu tema, é "Água de beber". Do Tomzinho e do Vina, é claro.

 

Eu sempre tive uma certeza
Que só me deu desilusão
É que o amor é uma tristeza
Muita mágoa demais para um coração

 

Água de beber, água de beber, camará
Água de beber, água de beber, camará

 

Eu quis amar, mas tive medo
E quis salvar meu coração
Mas o amor sabe um segredo
O medo pode matar o seu coração

 

Água de beber, água de beber, camará
Água de beber, água de beber, camará

 

Eu nunca fiz coisa tão certa
Entrei pra escola do perdão
A minha casa vive aberta
Abre todas as portas do coração.

 

Água de beber, água de beber, camará
Água de beber, água de beber, camará

 

Camará!

Escrito por Dostuc às 13h00
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Feliz ano novo!

Tem pessoas que confundem ironia com amargura. Amargo, eu? hehehehe... Não tenho coração para isso. Digo isso por conta de comentários sobre a postagem anterior.

 

Que fique claro: existe uma diferença aberrante entre as duas. Amargura é coisa de almas rústicas, mal desenvolvidas. A ironia é peculiar apenas às almas refinadas. E é lógico que eu procuro me refinar.

 

Não há nada mais fascinante em uma pessoa do que a capacidade de ser irônica. Eu aprecio muito isso, quem me conhece sabe. Sou apaixonado por ironias. E apaixonado pelas pessoas que a praticam. Vide François Marie Arouet, o Voltaire ou Donatien Alphonse de Sade, o Marquês de Sade.

 

E, já que estou bonzinho, vou colocar uma poesia-clichê do Drummond para que todos comecem este ano novo com uma nova perspectiva. É só escolher.


 

Receita de ano novo


 

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)


 

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.


 

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Escrito por Dostuc às 12h51
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30/12/2006


Feliz 2007?

What a wonderful world

(George Weiss / Bob Thiele)

 

 I see trees of green, red roses too
 I see them bloom for me and you

And I think to myself, what a wonderful world...

I see skies of blue and clouds of white
The bright blessed day, the dark sacred night

And I think to myself, what a wonderful world...

The colours of the rainbow, so pretty in the sky
Are also on the faces of people going by

I see friends shakin' hands, sayin' "How do you do?"
They're really saying "I love you"

I hear babies cryin', I watch them grow
They'll learn much more than I'll ever know

And I think to myself, what a wonderful world
Yes, I think to myself, what a wonderful world

 

 

Oh, yeah.....

Escrito por Dostuc às 00h54
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