Pensamentos mais-que-imperfeitos!


18/11/2006


Sonho bom

 

Hoje eu sonhei que estava lá no Pacaembu, comemorando um gol do Timão.

 

Um dia, um dia. Um dia estarei lá todos os dias.

 

Para não perder o costume, deixo uma homenagem a esta vida, esta religião, esta paixão que é o Timão.

 

"O Corinthians não é só um time e uma torcida. É um estado de espírito." (Sócrates, ao se sagrar Campeão Paulista em 1982).

 

"A grande força do Corinthians é a emoção que a torcida passa para o time, algo numa dimensão que nenhuma outra passa." (Sócrates, ibidem)

 

"Isso aqui já se tornou minha segunda pele. Mesmo que eu queira, nunca vai sair de mim." (Marcelinho, após o título da Copa do Brasil de 1995, referindo-se à camisa do Timão)

 

"O Corinthians é mais importante que a seleção." (Wladimir, jogador que mais atuou pelo Timão)

 

O Corinthians é mesmo o símbolo do povo que não chega lá. Do povo que sofre todas as decepções, desde as mais legítimas, como também as de seus sonhos. Que é humilde. Povo que se abate, mas que, ao mesmo tempo, Sabe que precisa recomeçar. E recomeça mesmo! Está presente em todas as lutas. Recomeça. Tenho certeza de que a vitória do Corinthians deve levar a vitórias essenciais na vida. E vai levar a tanto. Acreditamos, sempre de novo, nesta era que está para chegar em favor do povo, com a participação do povo e criada pelo mesmo povo.” (Dom Paulo Evaristo Arns, em sua Pastoral ao Povo Corinthiano, depois do título de 1977)

 

"Meu Deus, isto aqui é a minha vida...vou sentir tanta falta" (Dinei, visitando o terrão onde começou no Corinthians, para se despedir, após a entrevista, sem saber que o microfone estava ligado)

 

"Meu Deus, amo mais isso aqui que qualquer outra coisa no mundo." (Neto, após marcar um gol de bicicleta contra o Guarani no Campeonato Paulista e ser expulso por tirar a camisa e comemorar com a Fiel)


 

PS: Lágrimas e mais lágrimas...

Escrito por Dostuc às 13h28
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"O homem é um ser admirável, criado pelo sopro de forças metafísicas extraordinárias, usualmente conhecidas pelo codinome Deus. De esforço em esforço conseguiu sair da escala puramente animal, galgando os galhos da árvore da ciência, do tacape à baioneta, da arma de fogo rudimentar ao canhão, do canhão à bomba de hidrogênio, dos mísseis intercontinentais à guerra nas estrelas. Para sua felicidade permanente só resta ao homem passar da ciência à consciência, e evitar a volta ao tacape." (Millôr Fernandes- "A Bíblia do Caos- O Novo Evangelho")

Escrito por Dostuc às 13h01
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Música para alegrar a vida

 

Eis uma boa indicação de CD. Excelente. Espetacular. Não sei se está à venda no Brasil, mas pra quê existe o eMUle? Baixem!

 

Abaixo, a crítica feita pela Revista Cult:

 

Eles nunca gravaram juntos, apesar de já terem freqüentado os mesmos festivais. Hoje, mais de 20 anos depois da sua morte, Count Basie reencontra Ray Charles em colaboração póstuma. Basie, que é sinônimo de big band, começou como pianista, iniciou a carreira de bandleader em 1935 e consagrou-se como um dos mais competentes cantores e instrumentistas de sua geração. Charles, mais popular - é sobre ele uma das mais belas cinebiografias de todos os tempos -, morreu há dois anos, e é dono de uma das obras mais generosas da música popular norte-americana. O CD, intitulado Ray sings Basie swings foi produzido graças ao resgate de gravações de Ray Charles e da Basie Orquestra feitas há muito tempo e esquecidas. Sabe-se pouco sobre essa fita, mas é possível que sejam de concertos produzidos na Europa da década de 1970. O único problema é que as gravações estavam separadas. Então, os produtores do CD Gregg Field e John Burk tiveram de contar com novos arranjos tocados pela Count Basie Orchestra (que continua na ativa após a morte de seu idealizador) para conseguir uma qualidade audível para a obra. E deu certo. As 14 canções têm excelente qualidade, além de parecerem ter sido produzidas com voz e banda ao mesmo tempo. Ouvir Charles cantar é sempre bom, principalmente em clássicos como "Let the good times roll", "I can't stop loving you" e "Georgia on my mind". Um trabalho feito com amor à memória dos grandes mestres da música negra, que resulta em um belo presente para os fãs. (Fernanda Paola)
 
 
Ray Charles and the Count Basie Orchestra
Ray sings Basie Swings
Universal
Sem preço definido

 

 

 

Escrito por Dostuc às 12h54
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O fim de ACM

A revista "Veja" desta semana, traz a entrevista com o maior símbolo da corrupção brasileira. Antônio Carlos Magalhães, o ACM, ou Toninho Malvadeza.

 

Uma pergunta da entrevista resume bem o momento político em que ACM passa:

 

Veja – Em 2004, seu grupo já havia perdido a prefeitura de Salvador e, nas últimas eleições, foi derrotado também no governo estadual. Em 2007, o senhor fará 80 anos. Acha que ainda pode recuperar sua antiga força política?
ACM – Tenho certeza. Vou voltar com mais força do que tinha antes, porque os meus adversários fracassarão. E fracassarão porque sabem fazer campanha mas não sabem governar. (...) E digo mais: não é justo dizer que fui derrotado no governo estadual. O próprio Paulo Souto (atual governador da Bahia, candidato de ACM à reeleição e derrotado no primeiro turno pelo petista Jaques Wagner) disse à imprensa: ‘Quem perdeu fui eu. Até porque o ACM se meteu muito pouco ou quase nada no meu governo’.

 

Eu sempre associei o "Nobre" Senador a um personagem de Jorge Amado, que vem do livro "Gabriela, Cravo e Canela". O nome do personagem era Coronel Ramiro Bastos. Este coronel usava de métodos truculentos para garantir os seus correligionários no exercício da política, e mantinha a população sobre a égide do cabresto, saindo-se como o seu protetor pelo terror. Aos poucos, com a modernização do local, o poder do coronel foi decaindo, e os seus correligionários já não mais se elegiam. Os métodos de assassinar opositores também não davam mais certo. E o coronel foi perdendo a força que provinha de seus olhos firmes, vindo a morrer amargurado, decadente. Para mim, esta é a mesma biografia de ACM. (Quem nunca leu este livro "Gabriela, Cravo e Canela", que leia. É essencial, um daqueles livros que ninguém pode morrer sem ler. Lembrando que o coronel é apenas um dos personagens.)

 

ACM é a velha raposa política, sempre figurando no poder. Irmão de fé da cartilha de Roberto Marinho (os dois sempre foram amigos), os seus métodos na política são conhecidos de todos os brasileiros: chantagens, corrupção estrondante, e até agressões físicas a adversários.

 

Ele possui um jornaleco vendido em sua província chamada Bahia (que aos poucos vai se libertando) intitulado "Correio da Bahia". No domingo, dia do primeiro turno das eleições em todo o país, o  mesmo jornal dava a vitória de Paulo Souto (correligionário de ACM) como certa: segundo o jornal, em uma pesquisa realizada em parceria com o IBOPE, Jacques Wagner (PT) figuraria apenas com 39% dos votos, enquanto Paulo Souto ganharia com  52%. Resultado das urnas: Wagner ganhou no primeiro turno. Sem contar que o senador que o coronel apoiava também perdeu nas mesmas eleições.

 

Tudo isso nunca tinha ocorrido antes com ACM. Parece ser, aos poucos, a vontade popular de sua morte política (natural também, quem sabe).

 

Oportunidades para cassá-lo não faltaram. Em 2001, no escândalo da violação do painel, ACM estava no meio. Renunciou. Nem na renúncia o Coronel teve dignidade. Tornou-se nacionalmente conhecido o plágio que o mesmo, em seu discurso de renúncia, fez de um discurso do senador udenista Afonso Arinos. O discurso estava no livro "Grandes Momentos do Parlamento Brasileiro", livro que aliás teve a apresentação do próprio Coronel. Eis o original e a cópia:

 

Afonso Arinos, em 9 de agosto de 1954:

“(...) no momento em que a maior justiça se encontrou com a maior injustiça, e no dia em que o erro supremo se defrontou com a suprema verdade, e neste dia o juiz (...), o representante do poder estatal, que era Pôncio Pilatos, em face da perturbadora fúria (...), esquecendo-se dos deveres morais que incumbiam a sua pessoa e dos misteres políticos que incumbiam ao seu cargo, respondeu, a uma advertência, com estas palavras melancólicas: “– Mas o que é a verdade?”

 

ACM, em 30 de maio de 2001:

“No momento em que a maior justiça se encontrou com a maior injustiça, e no dia em que o erro supremo se defrontou com a suprema verdade, nesse dia o juiz, o representante do poder estatal, que era Pôncio Pilatos, em face à perturbadora fúria, em face das multidões arrebatadas, esquecendo-se dos deveres morais que incumbiam à sua pessoa e dos misteres políticos que incumbiam ao seu cargo, respondeu com estas palavras melancólicas: “– Mas o que é a verdade?”

 


  Voltou em 2002, com um novo escândalo em suas costas. ACM montou a maior rede de grampolândia da história da Bahia para perseguir a sua ex-amante, que estava namorando com outro homem. No entanto, o Governo Lula querendo angariar apoio até do Diabo, influenciou diretamente no Senado para que o Coronel não fosse cassado, em troca do apoio do PFL. No início, ACM até fingiu ser "grato". Ledo engano de Lula. Logo, o coronel se tornou o mais feroz opositor do governo. Os fins não justificam os meios, Lula.

 

Voltando ao Coronel, tal qual em "Gabriela, Cravo e Canela", vejo com muita alegria a sua decadência, e a perda do seu vigor. Os sinais de seu esgotamento já estão evidentes. Até há pouco tempo atrás era Presidente do Senado, manda-chuva no governo FHC. Depois, perdeu espaço dentro do PFL, e vê os seus candidatos perderem cada eleição que passa. Assim como Ramiro Bastos conheceu o seu fim, ACM também está conhecendo. É bom demais quando a vida imita a arte.

 

 

Escrito por Dostuc às 12h38
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17/11/2006


Comentários de um mestre

Mino Carta, em seu ótimo blog (www.cartacapital.com.br/blogdomino) trata de dois temas relevantes, duas notícias tristes que emergiram em nossos noticiários nesta semana. Uma concerne ao preconceito racial, e outra ao asssustador número de homicídios de jovens brasileiros. Eu ia até escrever sobre o tema, mas quem sou eu para colocar uma vírgula no que Mino disse. Eis as duas postagens:

 

 

Um Ronaldo qualquer


Metade da população brasileira é parda ou negra, segundo os levantamentos oficiais. Mais ou menos a metade. Não é improvável, contudo, que a quantidade de pardos e negros seja subestimada, a considerar, por exemplo, que Ronaldo, o ex-Fenômeno, propala a certeza de ser branco. Uma das hipocrisias mais deslavadas perpetradas pela elite nativa afirma a inexistência, por aqui, do preconceito racial. Proponho um teste. Pegue o citado Ronaldo e coloquem na esquina da Peixoto Gomide com a Alameda Jaú, debaixo das folhagens do parque Siqueira Campos, que ali sombreiam a calçada, em São Paulo. Não é meio dia, porém. São duas da manhã, e passa uma viatura da Rota. A bordo estão dois policiais militares, um negro e, talvez, um branco. A conferir. Que acontece com Ronaldo? Escolha a resposta certa. (A) A viatura para bruscamente, os policiais saltam para a calçada e pedem autógrafos. (B) Carregam o jogador sobre os ombros e descem a ladeira da Peixoto Gomide entoando, com surpreendente afinação, "Pra Frente Brasil!". (C) Poem Ronaldo de costas, aos empurrões, junto ao poste mais próximo, abrem-lhe as pernas à força, revistam-no com energia, impondo sua autoridade aos berros, de sorte a por em fuga os midnight cowboys a passeio em frente ao Colégio Dante Alighieri.

 

 

Até quando?


Uma pesquisa mundial coloca o Brasil em terceiro lugar na classificação dos países onde se registra o maior número de homicidios de jovens. Terceiro não está mal, mas não se acabrunhem, somos primeiros em assassinios de pessoas de todas as idades. E isso tudo tem a ver, está claro, com o nosso segundo lugar no torneio da má distribuição de renda. Ou seja, da injustiça social. Perdemos para Serra Leoa mas ganhamos da Nigéria. Que bom, que bom. Entende-se porque um número conspícuo de brasileiros, em boa parte conspícuos, querem que as coisas fiquem como estão para ver como ficam. Até quando? Isso não vai dar coisa boa. Temos de apostar, ad aeternitatem, na cordialidade do povo brasileiro (quer dizer, na resignação), abandonado ao seu destino pela elite mais retrógrada do mundo? Aqui sim, nesse domínio também, somos campeões indiscutíveis, como em assassínios. Aproveito a oportunidade para dizer que conheço um número (conspícuo?) de senhores e senhoras (conspícuos?) dispostos a acreditar cegamente em Lombroso, mais ou menos como Bush Júnior e o papa Ratzinger acreditam no creacionismo. Lombroso, todos sabem, é aquele que desenhou em detalhes a tipologia do criminoso. Dele o crime, mais que a vocação, é o destino. E este foi marcado nos próprios traços do seu rosto. Tudo muito cientifico, obviamente. Confesso que não me faltam ocasiões de súbita rendição à teoria lombrosiana, quando encaro certos donos do poder nativo, ou certos rostos da tevê, ou anspeçadas de figurões. Logo a rechaço, ao pensar no corcunda de Notre Dame. Alma de Ariel no corpo de Calibã. Mas por aqui os Calibãs abundam, isso lá é verdade. No creo en brujas, pero que las hay, las hay.

Escrito por Dostuc às 21h23
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Tom, Chico e a Mangueira

E, já que estamos falando da Estação Primeira, é importante lembrar que esta foi a mesma escola que já homenageou os mitos de nossa música, Chico Buarque e Tom Jobim.

 

Tom foi homenageado em 1992, e a Mangueira ficou na 6ª posição. Chico foi homenageado em 1998, ocasião em que a Mangueira foi a vencedora do Carnaval. Chico deu mais sorte para a escola, pelo jeito, hehe.


 

Brincadeiras à parte (até porque se para o desfile em homenagem ao Tom não ter sido o vencedor, é porque roubaram na apuração das notas) deixo, a título de curiosidade, a letra dos dois sambas-enredo, em homenagem aos nossos ícones musicais.

 

Mangueira: Carnaval de 1992

 

Enredo: SE TODOS FOSSEM IGUAIS A VOCÊ 
Autor(es): Hélio Turco, Jurandir e Alvinho 
 
   

MANGUEIRA VAI DEIXAR SAUDADE
QUANDO O CARNAVAL CHEGAR AO FIM
QUERO ME PERDER NA FANTASIA
QUE INVADE OS POEMAS DE JOBIM
AMANHECEU...
O RIO CANTA DE ALEGRIA
ACONTECEU...
A MAIS LINDA SINFONIA
O SOL JÁ DESPONTOU NA SERRA
DOIRANDO O SEU CORPO SEDUTOR
O MAR BEIJA A GAROTA DE IPANEMA
A MUSA DE UM SONHADOR                                                        

 

É CARNAVAL
É A DOCE ILUSÃO                                                                          
É PROMESSA DE VIDA NO MEU CORAÇÃO

 

VEM... VEM AMAR A LIBERDADE
VEM CANTAR E SORRIR
VER UM MUNDO MELHOR
VEM MEU CORAÇÃO ESTÁ EM FESTA
EU SOU A MANGUEIRA EM TOM MAIOR
SALVE O SAMBA DE TERREIRO
SALVE O RIO DE JANEIRO
SEUS RECANTOS NATURAIS

 

SE TODOS FOSSEM IGUAIS A VOCÊ
QUE MARAVILHA SERIA VIVER  
 

 

 

Mangueira: Carnaval de 1998

Enredo: CHICO BUARQUE DA MANGUEIRA 
Autor(es): Nelson D. Rosa, Vila Boas, Carlinhos 
 
   

MANGUEIRA DESPONTANDO NA AVENIDA
ECOA COMO CANTA UM SABIÁ
LIRA DE UM ANJO EM VERSO E PROSA
DE UM QUERUBIM QUE EM VERDE E ROSA
FAZ TODA GALERA BALANÇAR
HOJE O SAMBA SAIU
PRA FALAR DE VOCÊ
GRANDE CHICO ILUMINADO
E NA SAPUCAÍ EU FAÇO A FESTA
E A MINHA ESCOLA CHEGA DANDO O SEU RECADO
É O CHICO DAS ARTES... O GÊNIO
POETA BUARQUE... BOÊMIO                                                           
A VIDA NO PALCO TEATRO E CINEMA
MALANDRO SAMBISTA CARIOCA DA GEMA

 

MARCANDO FEITO TATUAGEM
ACORDES DO SEU VIOLÃO
CHICO ABRAÇA A VERDADE
COM DIGNIDADE CONTRA A OPRESSÃO
RELUZ O SEU NOME NA HISTÓRIA
A LUZ QUE FICOU NA MEMÓRIA

 

E HOJE O SEU CANTO DE FÉ, DE FÉ
VAI BUARQUEANDO COM MUITO AXÉ                                       

 

O IÁ, IÁ... VEM PRA AVENIDA
VER MEU GURI DESFILAR                                                                
O IÁ, IÁ... É A MANGUEIRA
FAZENDO O POVO SAMBAR
 

 

Escrito por Dostuc às 21h03
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Mangueira 2007

E a Mangueira ( minha escola do coração) já escolheu o seu samba-enredo para 2007. Eis a letra dele:

 

 

Minha Pátria é minha língua, Mangueira meu grande amor.
Meu samba vai ao Lácio e colhe a última flor.

 

Autores: Lequinho, Júnior Fionda, Aníbal e Amendoim do samba


 

QUEM SOU EU?
TENHO A MAIS BELA MANEIRA DE EXPRESSAR
SOU MANGUEIRA... UMA POESIA SINGULAR
FUI AO LÁCIO E NOS MEUS VERSOS CANTO À ÚLTIMA FLOR
QUE ESPALHOU POR VÁRIOS CONTINENTES
UM MANANCIAL DE AMOR
CARAVELAS AO MAR PARTIRAM
POR DESTINO ENCONTRARAM O BRASIL...
NOS TRAZENDO A MAIOR RIQUEZA
A NOSSA LÍNGUA PORTUGUESA
SE MISTUROU COM TUPI TUPINAMBRASILEIROU
MAIS TARDE O CANTO DO NEGRO ECOOU
ASSIM A LÍNGUA SE MODIFICOU

 

EU VOU NOS VERSOS DE CAMÕES
ÀS FOLHAS SECAS CAÍDAS DE MANGUEIRA
É CHAMA ETERNA DOM DA CRIAÇÃO
QUE FALA AO PULSAR DO CORAÇÃO

 

CANTANDO EU VOU
DO OIAPOQUE AO CHUÍ OUVIR
A MINHA PÁTRIA É MINHA LÍNGUA
IDOLATRADA OBRA-PRIMA TE FAÇO IMORTAL
SALVE... POETAS E COMPOSITORES
SALVE TAMBÉM OS ESCRITORES
QUE ENRIQUECERAM ATUA HISTÓRIA
Ó MEU BRASIL...
DOS FILHOS DESTE SOLO ÉS MÃE GENTIL
HOJE A HERANÇA PORTUGUESA NOS CONDUZ
À ESTAÇÃO DA LUZ

 

VEM NO VIRA DA MANGUEIRA VEM SAMBAR
MEU IDIOMA TEM O DOM DE TRANSFORMAR
FAZ DO PALÁCIO DO SAMBA UMA CASA PORTUGUESA
É UMA CASA PORTUGUESA COM CERTEZA

 

Escrito por Dostuc às 21h01
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Música, Flores e Revolução

 

A música nem sempre tem que tratar de um universo paralelo, irrealizável, como uma simples manifestação da beleza. Por várias vezes ela se caracteriza por ter em seu bojo a escrita da história. Muitas pessoas ao ouvirem o antológico álbum de Chico Buarque e Maria Bethânia ao vivo, podem não entender porque existe uma faixa denominada "Tanto mar", em que a música é simplesmente instrumental. Este silêncio das vozes quer dizer muito na história.

 

Em 1974, Portugal estava desgastado por uma ditadura que completava quase 50 anos. Supressão de liberdades, perseguições, mortes, eram a marca característica da ditadura de Caetano que esmagava consciências portuguesas. Além disso, a crise econômica estava instalada pelas esfacelantes guerras coloniais, em que Portugal reprimia guerras de libertação por parte de suas colônias africanas.

 

Toda esta soma de fatores veio a culminar em um descontentamento geral da população, e de grande parte dos militares.

 

Nos primeiros minutos de 25 de Abril de 1974, uma música proibida de Zé Afonso, o Geraldo Vandré dos gajos, foi executada na Rádio Renascença. Era assim a sua letra:

 

Grândola, Vila Morena


Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

 

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

 

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

 

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

 

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade

 

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade


 

Este claro canto crítico, foi o sinal para que os oficiais iniciassem operações de ocupações de pontos estratégicos. Era o início da derrocada do regime ditatorial.

 

A população prontamente apoiou o movimento, criando frentes populares. A ditadura salazarista, que sobreviveu ao próprio Salazár, que havia morrido 4 anos antes, foi derrubada no mesmo 25 de abril de 1974.

 

Os portugueses relatam que foi uma linda festa, com milhares de pessoas cantando, chorando, gritando nas ruas, felizes com o fim de décadas de repressão. Um fato ficou marcado em todo este movimento, e que se tornou o seu símbolo: todas as pessoas carregavam cravos nas mãos, formando um grande jardim humano desta flor.

 

O que se seguiu foi um período de instabilidade política, mas de profundas mudanças sociais, com distribuição de terras, estatização de setores estratégicos, descolonização, e liberdade.

 

Chico Buarque, que vivia em um Brasil que sofria repressão semelhante à que o povo português sofria anteriormente à revolução, celebrou em "Tanto Mar" este período:

 

Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo pra mim

 

Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim

 

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também que é preciso, pá
Navegar, navegar

 

Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim

 


Esta música foi completamente vedada pelos militares brasileiros que, por sinal, acolheram deposto o general Caetano em nosso país. Eis, toda a razão do silêncio expresso em "Tanto Mar", no álbum com Bethânia. A música, em sua versão integral, só veio a ser exibida em Portugal.

 

Após este período de euforia em Portugal,as reformas se arrefeceram,e as mudanças diminuíram. O fracasso de uma tentativa de golpe de oficiais de extrema esquerda, em novembro de 1975, deu cabo ao período revolucionário. Contudo, a democracia permaneceu.

 

Chico Buarque, então, fez uma nova versão para a canção "Tanto Mar", que assim dizia:


 

Foi bonita a festa, pá
fiquei contente
'inda guardo renitente, um velho cravo para mim

 

Já murcharam tua festa, pá
mas, certamente
esqueceram uma semente nalgum canto de jardim

 

Sei que há leguas a nos separar
tanto mar, tanto mar
Sei também como é preciso, pá
navegar, navegar

 

Canta a Primavera, pá
cá estou carente
manda novamente algum cheirinho de alecrim


 

Esta versão é a mais conhecida. É verdade que, anos após, a nossa Ditadura também foi derrubada.  Mas nunca floresceu a nossa Primavera. Falta a Primavera em nossa História. Com as "Diretas já!", veio Collor. Com os "caras pintadas" pelo impeachment de Collor, veio FHC. Com a eleição de Lula, veio o Lula.

 

A música de Chico é mais que atual. E ainda dizemos aos gajos: "cá estou carente
manda novamente algum cheirinho de alecrim...".

 


 E, em um silêncio semelhante ao que Chico expressou a sua música, tentamos plantar alguma semente para uma Primavera vindoura. Quem sabe.

 



 

Escrito por Dostuc às 20h14
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15/11/2006


Bossa Nova não é samba

Sou um completo ignorante em teoria musical. Tocar também não sei nada. Aliás, só aprendi a tocar violão, mesmo assim de maneira tosca, para fazer homenagens a namoradas. Isso é lá quando você está com algum tempo de namoro, e precisa fazer algo para surpreender. E nada mais surpreendenete para uma mulher do que ver um homem, que não sabe fazer nada, arranhando uma notas combinadas com uma voz desafinada para declarar o seu amor.

 

Pois então, fiz esta digressão para explicitar que sobre o tema que explanarei a seguir, eu não tenho absolutamente nenhum conhecimento teórico. Serão só palpites. Ah, mas tudo neste blog é palpite.

 

Sempre me incomodei com a relação entre Bossa Nova e Samba. Comecei a gostar de Bossa, antes de conhecer o samba, e sei que, além do meio "bossa-novista", a Bossa Nova sempre foi considerada pela crítica especializada como uma espécie de samba.

 

Após conhecer o Samba, esta concepção sempre ficou abalada em minha mente. De um lado, eu ouvia Cartola, de outro Tom Jobim. De um lado eu ouvia Candeia, de outro João Gilberto. Ouvia, ouvia, ouvia, e nunca conseguia encontrar nenhum  laço de parentesco, embora eu tivesse aprendido que a Bossa Nova era uma espécie do gênero Samba. Até que cheguei, em uma reunião de uma série de fatores, à uma conclusão que nunca mais sairá da minha mente: Bossa Nova não é, nunca foi, e nunca será samba.

 

Isso não é nada depreciativo, até porque até as pedras das pirâmides do Egito sabem o quanto eu sou fã de Tom Jobim, e da Bossa Nova. Eu o intitulo "O maior brasileiro de todos os tempos". E o João, então? E o Carlos Lyra? Menescal? Bôscoli? Amo todos. A Bossa Nova é algo insuperável. Agora, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, já diria o Tim Maia. É algo esquizofrênico qualificar a Bossa Nova como samba.

 

A começar das origens. O Samba tem origem no morro, a Bossa tem origem nas aulas de francês. Um nasceu no subúrbio e a outra em berço de ouro. As origens já são o ponto de partida para efeitos completamente diferentes na formação de cada um desses filhos diletos de nossa música. Por exemplo, as letras. O samba mostra o seu amor pela malandragem, as brigas de amor e a expulsão da mulata ingrata do barraco, a perseguição da polícia, a prostituição, a vida sofrida economicamente. A Bossa traz mais o amor juvenil, a praia, o barquinho, o lobo bobo, a coisinha linda, a natureza. Não que na Bossa não encontremos letras com as mesmas características  supracitadas do samba. Mas é uma realidade tão paralela... Ou é uma subsunção perfeita ver João Gilberto em um banquinho, cantando baixinho "Pra quê discutir com madame?", sendo que muito provavelmente são as madames que o estão ouvindo no show....

 

E no ritmo? Talvez nas escalas musicais, a batida de João se assemelhe ao samba, mas e os efeitos no mundo exterior? O samba balança, transmite alegria, vibração, suor. A Bossa transmite tranqüilidade, calmaria, beijinhos. Por exemplo, quando ouvimos o Tom Jobim dizendo em sua música  "Só danço o samba, só danço o samba...", no entanto, nesta música não dá para se dar um passinho sequer de samba.

 

Meu Deus, em quê este branco e este negro, tirando o brilhantismo dos dois, possuem parentesco? A não ser que cheguemos em Adão e Eva.

 

É por essas e outras que eu não considero a Bossa Nova como samba, nem de longe. Trata-se de outro estilo musical, brilhante estilo musical por sinal, mas sem laços diretos com o Samba. Samba que, aliás, é o nosso estilo musical por excelência.

 

Ademais, Paulinho da Viola em sua elegância, já disse:


 

Tá legal
Tá legal, eu aceito o argumento
Mas não me altere o samba tanto assim
Olha que a rapaziada está sentindo a falta
De um cavaco, de um pandeiro ou de um tamborim

 


Sem preconceito ou mania de passado
Sem querer ficar do lado de quem não quer navegar

 


Faça como um velho marinheiro
Que durante o nevoeiro
Leva o barco devagar.

Escrito por Dostuc às 13h48
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Novo Livro de Rubem Fonseca

Foto: Rubão e Gabo- Meus dois grandes ídolos literários

 

O grande Rubem Fonseca lançou um novo livro de contos, intitulado "Ela". Eu confesso que sou praticamente uma tiete dele, e de Gabriel García Márquez. Sempre quando um dos dois lança um livro novo, estou lá eu madrugando na livraria, pleiteando um exemplar. Desta vez, estou tendo que aguardar um pouco, pois encomendei pela internet, e até agora não chegou.

 

Enquanto isso, apenas li um trecho de um conto deste novo livro, graças a um site literário. Com uma pequena amostra, dá para ver que o estilo pornográfico, debochado e direto do escritor mineiro, continua em pleno vigor. É inevitável querer imediatamente devorar o livro inteiro.

 


Segue o trecho:

 


ELA

 

Na cama não se fala de filosofia.

 

Peguei na mão dela, coloquei sobre meu coração, disse, meu coração é seu, depois pus sua mão sobre minha cabeça e disse, meus pensamentos são seus, moléculas do meu corpo estão impregnadas com moléculas do seu.

 

Depois botei a mão dela no meu pau, que estava duro, disse, é seu esse pau.

 

Ela nada disse, me chupou, depois chupei sua boceta, ela veio por cima, fodemos, ela ficou de joelhos, rosto no travesseiro, penetrei por trás, fodemos.

 

Fiquei deitado e ela de costas para mim sentou-se sobre o meu púbis, enfiou meu pau na boceta. Eu via meu pau entrando e saindo, via o cu rosado dela, que depois lambi. Fodemos, fodemos, fodemos. Gozei como um animal agonizando.

 

Ela disse, te amo, vamos viver juntos.

 

Perguntei, não está tão bom assim? Cada um no seu canto, nos encontramos para ir ao cinema, passear no Jardim Botânico, comer salada com salmão, ler poesia um para o outro, ver filmes, foder. Acordar todo dia, todo dia, todo dia juntos na mesma cama é mortal.


 

Ela respondeu que Nietzsche disse que a mesma palavra amor significa duas coisas diferentes para o homem e para a mulher.


 

Para a mulher, amor exprime renúncia, dádiva. Já o homem quer possuir a mulher, tomá-la, a fim de se enriquecer e reforçar seu poder de existir.

 

Respondi que Nietzsche era um maluco.

 

Mas aquela conversa foi o início do fim.

 

Na cama não se fala de filosofia.

 

 

 

Escrito por Dostuc às 12h37
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A proclamação da República e o meu Império

 Em meados de 1889, com o Império extremamente desgastado, mesmo com as tentativas desesperadas do ministro de D. Pedro II, Visconde de Ouro Preto, em "modernizar o país" concedendo direitos como liberdade de culto, liberdade de ensino, temporariedade no Senado, e etc (Que país de vanguarda, hein?) o Brasil assistiu à proclamação da República. Assistiu literalmente, pois foi um movimento estritamente militar. O povo estava descrente da Monarquia e não conhecia os ideais Republicanos, então preferiu assistir pra tentar entender. É que naquela época não tinham novelas.


 Quem chefiou o movimento de proclamação da República foi o Marechal Deodoro da Fonseca. Movimento tão sério e sedimentado, que nem D. Pedro II havia entendido que se tratava de uma revolução. Ele tinha entendido como uma revolta contra o seu ministro predileto, o Visconde de Ouro Preto. Tanto que o próprio Imperador foi ao encontro dos revolucionários, anunciar uma nova composição em seu ministério. Quando percebeu que não era o que ele estava pensando, D. Pedro II, arrumou as suas coisas e foi com a família para a Europa. Afinal, 49 anos de governo já davam para o gasto.


 Hoje, muitas pessoas podem rir dessa nossa autêntica República de Bananas, achar este dia apenas mais um para ir à praia, ir ao cinema, um feriado a mais. No entanto, é sempre importante pensar que a história do Brasil poderia ser sempre pior. Impossível? Nada disso. Por exemplo, se eu fosse Imperador. Eu seria um verdadeiro Calígula tropical.


A começar, o meu perfil autoritário já se faz presente no visual deste blog. Já perceberam que meu blog é um dos poucos que não abrem espaços para manifestação? Pois então. É uma demonstração micro do que seria o macro. Eu sou um inimigo da liberdade.


Liberdade de imprensa? Pra quê? Assim como eu não abro comentários para não ler besteiras, não ia deixar a imprensa funcionar para não ler besteiras. Os jornalistas de "Veja" seriam obrigados a escrever diariamente mil vezes eu um quadro negro: "É feio escrever mentiras, É feio escrever mentiras...".


E as outras liberdades? Liberdade artística? Neste ponto, eu faria uma intervenção severa. Eu criaria um grande aterro sanitário para lá jogar  Latino, Tati Quebra-Barraco, Ivete Sangalo, e quem mais fizesse músicas que não gastam mais de 5 minutos para serem elaboradas. Também caberiam neste aterro os ex-big brothers, ex-atores, e todos aqueles que quisessem enredar pelo ramo da literatura, sem terem capacidade cognitiva para isso.


 Liberdade de culto? Ai, ai, ai. Líderes religiosos estelionatários seriam presos em uma prisão confortável no Vale do Jequitinhonha. Eu não iria executá-los, senão eles seriam denominados mártires, e isso eles tomam como elogio.


 Liberdade econômica? Tsc, tsc, tsc. Seria um festival de expropriações. E que se diferencie desde já expropriação de desapropriação. Na desapropriação, a pessoa ainda recebe uma indenização, na expropriação, não recebe um vintém. A Daslu, por exemplo, seria expropriada e entregue aos mendigos da Feira Municipal. Eliana Tranchesi teria um novo emprego: lavar as cuecas imperiais.

 

 Fora a supressão das liberdades, o meu governo seria marcado pela corte. De manhã, eu seria acordado com o som da Orquestra Sinfônica Brasileira. Tomaria o meu café, daria uma caminhada para eu, e conseqüentemente o meu Império, manter a saúde e a longevidade, e retornaria para o almoço. No almoço, retomaria um costume de Luís XIV de sortear um cidadão do povo para ter o privilégio de me ver almoçando, nos mesmos moldes que o Rei francês fazia. À tarde, iria ao estádio ver o Corinthians jogar. Detalhe importante: eu não admitiria nenhuma derrota. Ou seja, o time que ousasse fazer gol no Timão, sofreria as iras imperiais. À noite, jantaria, nos mesmos moldes do almoço. Após o jantar, ouviria os  versos de poetas que exaltariam os meus feitos. Seriam espécies de Virgílios. E, finalmente, dormiria com algum músico tocando para mim. Este último detalhe é importante, até porque eu faria um viveiro de artistas, e lá colocaria os que eu gosto, como Chico Buarque, Djavan, Paulinho da Viola. Então, eles só sairiam de lá para ter a honra de tocar para o Imperador.


 Eu tomaria outras medidas também, mas teria que escrever um tratado sobre isso. Só apresentei um esboço do meu plano de governo para que, quem porventura leia, se sinta aliviado e diga: "Ufa, poderia ser pior! Viva a República!" E, com muita alegria, cantar sorridente o Hino da  Proclamação da República:


Seja um pálio de luz desdobrado.
Sob a larga amplidão destes céus
Este canto rebel que o passado
Vem remir dos mais torpes labéus!
Seja um hino de glória que fale
De esperança, de um novo porvir!
Com visões de triunfos embale
Quem por ele lutando surgir!


Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!


Nós nem cremos que escravos outrora
Tenha havido em tão nobre País...
Hoje o rubro lampejo da aurora
Acha irmãos, não tiranos hostis.
Somos todos iguais! Ao futuro
Saberemos, unidos, levar
Nosso augusto estandarte que, puro,
Brilha, avante, da Pátria no altar!


Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!


Se é mister que de peitos valentes
Haja sangue em nosso pendão,
Sangue vivo do herói Tiradentes
Batizou este audaz pavilhão!
Mensageiros de paz, paz queremos,
É de amor nossa força e poder
Mas da guerra nos transes supremos
Heis de ver-nos lutar e vencer!


Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!


Do Ipiranga é preciso que o brado
Seja um grito soberbo de fé!
O Brasil já surgiu libertado,
Sobre as púrpuras régias de pé.
Eia, pois, brasileiros avante!
Verdes louros colhamos louçãos!
Seja o nosso País triunfante,
Livre terra de livres irmãos!


Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!

Escrito por Dostuc às 02h09
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