Pensamentos mais-que-imperfeitos!


04/11/2006


Em terra de Homer, quem é Jô é Rei (parte 2)

Foto: Telespectador flagrado assistindo o "Programa do Jô"

 

 

Todavia, quando o entrevistado é alguém sem tanto conteúdo assim, o quadro muda. Justamente são esses que o Jô deixa brilhar. Mas para expô-los ao ridículo. São normalmente as entrevistas que terminam com um "Ahhhhhh...." sonoro do público. Justamente as que nem deveriam ter começado.

 

 

Chega a ser algo paradoxal. Quando é alguém que tem algo para dizer, Jô Soares não deixa a pessoa falar. Quando é alguém que não tem nada (ou só asneiras) para dizer, Jô Soares fica calado, só entrevistando.

 

 

Até porque, quando o Jô resolve explanar o seu conhecimento, é um festival de estultices que são emanadas.

 

 

Para fazer um pequeno teste, resolva convidar, em uma bela noite, um amigo seu médico, para assistir uma entrevista do Jô com um médico. Ou um amigo advogado, quando o Jô for entrevistar um advogado. Ou um Engenheiro, enfim...Ou até mesmo você assistir uma entrevista do Jô com alguém de sua área do conhecimento. O resultado será de muitas risadas. Mas não das piadinhas infames do Jô, e sim de como as pessoas conseguem ser tão divertidas a ponto de considerarem tal apresentador o Voltaire brasileiro. 

 

 

Em verdade, Jô Soares é o maior embuste que já se viu nos últimos anos. Mas o que se vê, infelizmente, é um grande público que sequer possui percepção para isso. Entretanto, não é nada que não se explique: quem já assistiu os "Simpsons" constatou que o Homer Simpson sempre demorou a perceber as coisas. Ainda mais com sono.

 

 

Escrito por Dostuc às 15h56
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Em terra de Homer, quem é Jô é Rei (parte 1)

 

Há um tempo atrás, eu havia escrito um textinho sobre a Classe Média brasileira e, em um dos pontos, critiquei o "intelectual" desta, um tal de Jô Soares.

 

 

Recebi alguns comentários sobre o texto, principalmente em defesa do apresentador. No entanto, em virtude de um comentário que recebi hoje de uma grande amiga, gostaria de retomar ao tema com mais especificidade. Não que eu ligue para comentários, ou críticas. Nada disso: desprezo todas. Aliás, quase todas. Este blog tem um sentido egoístico, de idéias pessoais. Não estou preocupado com popularidade, ou com o que terceiros irão considerar. Contudo, eu devo reconhecer que sempre existe um grupo de pessoas (diminuto, é verdade) que fazem comentários pertinentes e que acrescentam ao seu crescimento pessoal. São as grandes pessoas que você tem o privilégio de conhecer. E, por causa de uma dessas grandes, retomarei ao tema.

 

 

 Vou esquadrinhar o Jô. Primeiramente, falemos de seu público. Certa vez, William Bonner deu uma declaração, que lhe causou constrangimentos posteriores, quando disse que sempre que escrevia um texto para ser apresentado no "JN" pensava no telespectador como o "Homer Simpson". Como Jô Soares passa mais tarde que o "JN", poderemos entender que o público do Jô Soares seria o mesmo Homer Simpson, mas mais sonolento. Feitas essas considerações, comecemos com uma minibiografia.

 

 

Era uma vez um gordo que resolveu ser humorista. Ele fazia diversas macacadas na televisão, e já tinha a personalidade marcada. No entanto, um belo dia este gordo resolveu mudar de emissora, e mudar de personalidade. Para isso, deixou a barba crescer, colocou um óculos, terno, gravata, e pronto: nascera um intelectual. Daí em diante, começou a comandar um programa de entrevistas. É claro, em seu programa ele não poderia deixar de ser acompanhado por uma banda de Jazz, como um bom intelectual que se preze. E ainda resolveu enredar pelo ramo da literatura. O sucesso foi tão grande que Jô Soares voltou à sua emissora anterior, com um contrato milionário.

 

 

De uma hora para outra, virou um consenso entre a "sociedade" (sociedade é o telespectador Homer Simpson, diga-se) que o Jô Soares era um intelectual brilhante, de piadas inteligentes, de um refinamento ímpar. Jô Soares virou um Platão, um Aristóteles, um Leonardo da Vinci da sociedade brasileira. Um homem extraordinário que detinha conhecimento aprofundado sobre todas as ciências, daqueles que as pessoas se perguntavam: "Onde ele tirou tempo para conhecer tantas coisas?". Eis o Jô Soares.

 

 

No entanto, os telespectadores "Lisa Simpson", sempre perceberam que tal apresentador é uma farsa sem fim. Os métodos de Jô Soares são bem claros em seus programas: realização pessoal às custas dos entrevistados. De fato, suas "entrevistas", nada mais são do que trampolins para o mesmo realizar-se intelectualmente, e bradar: Como eu sou bom!

 

 

Isso é facilmente perceptível analisando os entrevistados. Quando é um entrevistado que tem algum conteúdo, Jô Soares transforma a entrevista em um quase-monólogo, em que ele (o Jô, óbvio) destila todo o seu "conhecimento geral" não deixando praticamente o entrevistado falar. Não é nada incomum vê-lo tentando ensinar a um cardiologista sobre o funcionamento do coração, tentando ensinar a um juiz sobre a interpretação da lei, tentando ensinar a um artista sobre a criação. Se Deus fosse entrevistado por Jô Soares, certamente ouviria alguns ensinamentos sobre a Bíblia.

 

 

 

Escrito por Dostuc às 15h54
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30/10/2006


Parabéns, Maradona!

 

Hoje é aniversário do maior jogador de futebol de todos os tempos: Diego Armando Maradona. Para homenagear "El Pibe", nada como uma das tantas músicas feitas em sua homenagem. Nada mais justo, para aquele que transformou o futebol em uma arte.

 

Para Siempre

(RATONES PARANOICOS)



Quisiera ver al Diego para siempre.
Gambeteando por toda la eternidad.
Es verdad que El Diego es lo más grande que hay
,
es nuestra religión, nuestra identidad.
Quiero que siga jugando para toda la gente.

La mejor zurda, no quedan dudas.
Con su corazón nos dio el triunfo y la gloria.
Y en el fútbol, que es su juego, nunca nada le dio miedo.
Y a la Argentina sí que hizo feliz.
Para el pueblo lo mejor, Diego Armando Maradona.

Quisiera ver al Diego para siempre.
Gambeteando por toda la eternidad.
Es verdad que El Diego es lo más grande que hay
,
es nuestra religión, nuestra identidad.
Quiero que siga jugando para toda la gente.


La mejor zurda, no quedan dudas.
Con su corazón nos dio el triunfo y la gloria.
Quisiera que Dieguito juegue para siempre.
Jamás habrá otro igual, ya lo aprendí

 

Para el pueblo lo mejor, Diego Armando Maradona...

Escrito por Dostuc às 12h47
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29/10/2006


É Lula de novo. Lembrará do povo?

A priori, mais do que a reeleição de Lula, o mais importante é ver o PSDB e o PFL mais quatro anos longe do poder. Alckmin como a "salvação", era uma piada que só temos por estas terras.

 

É fato, o que se viu durante estes 4 anos foi um governo enlameado por uma crise ética, mas ao lado da "oposição" existia um grupo político-social aproveitando o ensejo para despejar todo o seu preconceito contra o povo e os seus movimentos.

 

Algo que não deixou de se fazer presente até o presente momento, quando diversas pessoas desprezaram os altos índices de popularidade de Lula, falando que "eram só eleitores do Nordeste, reféns do Bolsa-Família". Ou com aquela plaquinha abjeta e preconceituosa, onde está a mão deficiente de Lula, e o sinal de "proibido".

 

Eu votei em Lula, nos dois turnos. A mudança nunca esteve com Alckmin, que não passava de um fantoche publicitário, rodeado de hipócritas que locupletaram o Brasil por décadas, e agora pousam como paladinos da moral. O único candidato que trouxe propostas melhores que Lula foi Cristovam Buarque. Cristovam trouxe a proposta da Educação, única salvação possível para o país. Mas, infelizmente, foi o simpático Dom Quixote destas eleições.

 

No entanto, não obstante todos os problemas do primeiro mandato de Lula, algumas coisas são inegáveis. A vida do povo brasileiro melhorou no governo Lula. E como ele mesmo gosta de falar "nunca neste país" o povo se sentiu tão próximo ao poder. Está, de fato? Obviamente não. Mas, tendo em vista os governos anteriores, Lula não encontrará dificuldades em fazer um dos melhores governos da história do Brasil. O que não é um absurdo, visto que o único presidente considerável que o Brasil teve foi Getúlio Vargas. Mesmo assim,a maioria do seu Governo no país foi sustentada em uma ditadura nefasta.

 

Como, apesar de não parecer, eu sou uma pessoa esperançosa aguardo que Lula entenda esta reeleição como uma segunda chance que o povo está lhe dando para provar a todos os freqüentadores da Daslu, de coquetéis, de colunas sociais, dentre outras coisas vazias nesta "sociedade" podre onde se reproduz opiniões de "Veja" e debocham do vocabulário de Lula, que o pobre, o humilde, pode sim, governar o Brasil. É o que eu sinceramente espero.


 

Por fim, muito embora Lula tenha vencido, neste momento só me vem à cabeça uma certa música do Cazuza, que é a que eu deixo aqui. Infelizmente, ela ainda é atual. Quem sabe, um dia, não se torne obsoleta e saia da minha cabeça toda a vez que vou votar.

 

 

Brasil
Composição: Cazuza / Nilo Roméro / George Israel

 

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer

 

Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito é uma navalha

 

Brasil
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim

 

Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada pra só dizer "sim, sim"

 

Brasil
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim

 

Grande pátria desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
(Não vou te trair)

 

 

Escrito por Dostuc às 19h57
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