Pensamentos mais-que-imperfeitos!


01/09/2006


A noite de sexta-feira

Ah, a noite de sexta-feira nunca deveria acabar!

 

 Ela contém em si a alegria do fim de uma semana cansativa e a perspectiva de um sábado precendendo um domingo. Ou seja, um deserto de dois dias que a separam da angustiante segunda-feira, angústia que atinge o seu ápice na quarta-feira, o pior dia da semana. O dia do meio, em que nada acontece e o tempo demora a passar. Dia tão angustiante que até os cinemas fazem promoções para que as pessoas não os abandonem. Já as terças e quintas, são daqueles dias sem graça, cheios de marasmo, em que não acontece nada. O sábado é o dia em que as emoções acumuladas são extraídas, exaradas. E o domingo, em parte, é um mero instrumento de recuperação dos excessos do sábado. E também é o princípio das dores. Dores de uma segunda-feira iminente, anunciadas com a música do "Fantástico", como se fosse o sino da morte.

 

Mas por que eu digo tudo isso? Para exaltar a noite de sexta-feira. Ela jamais deveria acabar.

Escrito por Dostuc às 20h05
[ envie esta mensagem ]

Um pouco de poesia

  Colocarei, abaixo, os versos de um poeta chamado Marcus Sacrini. Sinceramente, eu nunca tinha ouvido falar nele, até ler esta poesia. Por sinal, eu li hoje.

 

Carmen

ela parece ter o abismo nos olhos
ou em tudo em que pousa o olhar
e cobre com a seda prata do ocaso

 

quando canta
evoca avejões
nas vidraças outrora floridas
das noites furtado o calor
embaçadas mal deixam ver
o próprio horizonte difuso

 

o seu coração pouco pulsa
e segue tênue como os canários selvagens
recolhidos ao laranjal
(aquele dia merecia uma canção)
lentamente ela gosta dos boleros antigos
quando consegue ouvir os discos
o chiado inspirador
agora assusta, chamado plácido,
inelutável

 

ainda se penteia
e tão bonita
ante o marido sempre preocupado
(por que ele não pode esquecer?)
enquanto dirige desatento
olhando as ruas do passado
de casa até o hospital

Escrito por Dostuc às 19h55
[ envie esta mensagem ]

Um país de bandidos

Pensamento que está circulando no mundo virtual: "Foi só um brasileiro ir para o espaço que já sumiu um planeta".

 

Não teve como não morrer de rir. E concordar.

Escrito por Dostuc às 19h48
[ envie esta mensagem ]

30/08/2006


O Horário Eleitoral, a auto-estima e a poesia

"Meu nome é Canalha Picareta da Ladroagem, sou o candidato do povo. A minha história é eivada de ética, moral e virtude. Meu passado de luta e meu presente de projetos, me credenciam a vir aqui pedir seu voto. Pretendo investir na Educação, na Saúde, na Segurança Pública, na Agricultura Familiar, aumentar a geração de emprego, o desenvolvimento, e caçar os corruptos."

 

"Em quatro anos de governo, o Vale dos Perdidos, melhorou no comando do Governo do candidato à reeeleição, Pilandra da Bandidagem. Novas estradas surgiram, milhões de novos empregos, crianças nutridas, novos hospitais, redução da criminalidade, jovens felizes. E queremos fazer mais! É por isso que o seu voto é necessário!"

 


Quando vejo anúncios deste porte nos meios de comunicação e suas respectivas propagandas, eu me sinto bem. Eu amo o Horário Eleitoral Gratuito. Eu acho que o Governo Federal, quando tentou aumentar a auto-estima do brasileiro ao fazer as propagandas "Sou Brasileiro e não desisto nunca", deveria, ao contrário disso, incentivar a população a assistir o horário eleitoral em uma campanha como: "Sou Brasileiro, e assisto o Horário Eleitoral Gratuito".

 

Parece que estou em outro país, quando vejo aquelas criacinhas bem cuidadas, aquelas estradas lindas, aquelas máquinas a pleno vapor.  Eu queria agradecer muito, principalmente ao Presidente Lula e ao ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, por ajudarem neste trabalho tão importante na valorização do Brasil. Sinceramente, quem não se sente em uma Dinamarca, em uma Suécia, ao ver tais programas? Políticos qualificados, governos trabalhando. Oras, por que as pessoas reclamam tanto assim? Não sei.

 

Além de elevar a auto-estima, o Horário Eleitoral Gratuito também mostra a nossa verve poética. Quem disse que não tínhamos os nossos? Os ingleses celebram John Milton. Os alemães celebram Goethe. Os franceses, Racine. Os italianos, Dante. E nós podemos celebrar Lula, Alckmin, José Serra, Aloízio Mercadante, e tantos quantos poetas extraordinários aparecem na televisão. Afinal, acima de tudo, o atributo intrínseco a um bom poeta é ser um bom mentiroso, já disse Oscar Wilde.

 

A profundidade poética do horário eleitoral, pode ser explicitada em um exemplo. Olavo Bilac diz em uma poesia muito conhecida que "Só quem ama é capaz de ouvir e de entender estrelas". Oras, então quer dizer que uma pessoa apaixonada ouve as vozes do Sol? O Sol tem voz? Ele fala português? Claro que não. É uma linguagem figurada, ele quis dizer que quem ama vive em outra dimensão, com a cabeça nas nuvens. Lula disse que criou 4 milhões de empregos. Oras, então quer dizer que o Brasil teve 4 milhões de desempregados a menos? 4 milhões de novos postos de emprego? Claro que não, é uma linguagem figurada. Foram empregadas 4 milhões de pessoas, mas as que foram desempregadas neste período não entram no cálculo. Viram como a política é poética? É preciso interpretar. É por isso que nenhuma das duas, nem a política nem a poesia são populares. O povo é burro demais para entender.

 

Enquanto isso, eu vou aqui, elevando a minha auto-estima e nutrindo o meu espírito de poesia, ouvindo: "Sou o candidato Salafrário Locupletador. Sou o seu amigo, prometo que..."

 

Ai, ai...

Escrito por Dostuc às 21h03
[ envie esta mensagem ]

Que maravilha!

Grupo baiano 'É o Tchan' vai acabar em outubro
23/08/2006 15:45:27 - Redação Gazeta Rádios e Internet


 Grupo baiano 'É o Tchan' vai acabar em outubro. E, por incrível que pareça, o fim do grupo vai ser marcado por uma festa em um programa de TV em rede nacional. Jacaré, Tony Sales e Renatinho Xisto já acertaram a saída.

Já as bailarinas Silmara, Juliana e Aline farão parte de uma nova banda, a Nata do Tchan, que será composta por músicos da Nata do Samba, que tocava com Claudinha Leite no começo da carreira.

Segundo o produtor Nelson Neto, não há uma razão específica para o fim do Tchan. Ele afirma que é “um desgaste natural de 12 anos".

Mas o mercado tem outra explicação para o final da banda. O É o Tchan não faturava mais como antigamente.

 

 

Comentário: Esta notícia que coloquei foi para que todos tenham uma boa semana!

Escrito por Dostuc às 05h48
[ envie esta mensagem ]

28/08/2006


And I think to myself.... what a wonderful world...(parte 2)

Resolvi me suicicidar sem cartas mesmo. Eu iria me jogar do alto de um edifício. Consegui achar um prédio bem alto, de uns oito andares. Ao subir as escadas, vi que aquele prédio tinha o aspecto de ter sido de luxo. No corredor, horrorizado, vi a exposição das cabeças dos antigos proprietários dos apartamentos, mortos por serem economicamente mais avantajados. Percebi que era um edifício habitado por integrantes de diversas siglas como MSM (Movimento dos Sem-Moradia), MRSA (Movimento Revolucionário dos Sem-Apartamento), que lutavam contra a exploração cometendo homicídios bárbaros contra seres humanos. Vi uma criança carregando uma cabeça de um homem velho, e dizendo para a mãe:

"Consegui a cabeça de outro banqueiro, para pormos na exposição, mamãe!"

Não agüentando mais a situação, gritei:

"Vocês estão loucos? Por que fizeram isso? Acham isso correto?"

Não foi nem preciso eu me suicidar. Apenas repudiei aquela cena de horror, e fui tido como um monstro contra-revolucionário, pró-banqueiros e industriais. Recebi machadadas e foices de todos os lados de homens barbudos, vestidos de vermelho. 

Após minha morte, minha cabeça foi cortada para a exposição, e meu corpo foi fatiado em bifes, sendo vendido para o dono de um Açougue. Ele revendia, assim como todos os açougues, carne humana para as pessoas que estivessem sentido falta de comer alguma carne, já que a de boi, porco e frango, eram proibidas. A demanda era boa, o fígado e o coração eram as partes mais requisitadas. Terminei  em um churrasco de uma turma de faculdade.

 

Acordei banhado de suor. E me perguntei para que mundo estamos indo.

 

Escrito por Dostuc às 00h01
[ envie esta mensagem ]

And I think to myself.... what a wonderful world...(parte 1)

Hoje eu tive um sonho estranho. Neste sonho, uma voz não sei de onde me disse que eu estava no mundo politicamente correto. Eu estava com fome, e resolvi ir à padaria.

Ao sair de casa, achei coisas diferentes. Homens vestidos com calças baixas, camisas rasgadas apertadas, cabelos com luzes, usando batom, maquiagem, unhas pintadas, andando com delicadeza. Mulheres com jeitos bruscos, usando bermudas, bonés, coçando até o que não tinham. Pude perceber que só existiam casais homossexuais. Nunca tive nada contra, mesmo. No entanto, eu fui olhado com desconfiança e chacota por ser o único heterossexual. Pude perceber as pessoas atrás de mim imitando o meu jeito de andar, os meus modos.

Quando cheguei à padaria, pedi primeiro um cigarro Malboro. Fui visto como um criminoso, facínora. Só vendiam cigarros de maconha.

Eu estava com fome, e fui tentar comprar uma coxinha. A atendente logo me reprovou:

"Nós não vendemos coxinha, pois a produção de uma coxinha exige frango e matar frangos causa-lhes sofrimento assim como matar seres humanos".

Pacificamente, pedi um X-Bacon. Mais furiosa ainda ela respondeu:

"Será que você não entende o sofrimento dos animais, seu assassino! Você quer que eu sacrifique bois, frangos, porcos indefesos, para satisfazer seus desejos egoísticos?"

Tentei argumentar que eu estava apenas com fome, querendo comer algo. Ela disse que no cardápio só tinha agrião, alface e picles. Nunca tive espírito de vaca para comer mato.

Saí da padaria e tentei ir em outra localidade para ver se achava algo consistente para comer, no entanto, todas as do bairro eram iguais. No Centro deveriam ter várias lanchonetes. Eu teria que pegar um ônibus, ou táxi, já que não tinha encontrado meu carro. Aliás, que estranho, eu não tinha visto nenhum veículo até então. Nisso, perguntei a um dos transeuntes:
"Por favor, você pode me informar onde fica o ponto de ônibus?"
Escandalizado ele me respondeu:
"Ônibus?? Você está louco? Quer contribuir para o aumento do rombo na camada de ozônio??"
"Mas...mas...como eu faço para chegar até o Centro então?"
"Oras, pegue uma bicicleta. Pedalando, em 5 horas você chega lá."

Ah, deixa pra lá. Eu não estava com tanta fome mesmo. Resolvi ir na Biblioteca da Universidade, que tinha nas proximidades, para ler algo. Ao chegar na entrada, prontamente fui barrado por três guardas:
"Parado aí, mocinho branco!"
"Mas, como assim? O que eu fiz?"
"Ah, não sabe? Não sabe que é terminantemente proibida a entrada de branquelos nas instituições de ensino? Só aceitamos índios, negros e asiáticos."
"Mas, como? Eu só quero ler na biblioteca..."
"Ler? É assim que vocês começam. Hoje querem ler, amanhã querem fazer vestibular. Fora! Suma daqui! Foram milhares de anos de exploração, e vocês terão que pagar esta dívida histórica!"

"Mas que dívida? Eu nunca desrespeitei ninguém..."

Fui prontamente enxotado do local. Ao sair de lá, fui assaltado e cruelmente agredido, por um homem que me pegou ainda perplexo diante de toda a situação que havia passado até então. Para minha sorte, vi passando uma autoridade policial, e logo avisei:
"Socorro, fui assaltado por aquele marginal!"
Nisso, o policial me falou:
"Meu amigo, você foi assaltado por uma pessoa desprovida do significado de dignidade de pessoa humana. Não lhe inflija mais sofrimentos, com sua conduta patrimonialista, individualista, elitista."
"Mas, como? Ele acabou de me dar uma coronhada na cabeça e ainda roubou meu relógio!"
"Você ainda está preso àqueles tempos em que existia policia militar. Não sabe que nos novos tempos a comissão de direitos humanos que toma conta da segurança pública? Estamos em nova era, meu amigo!"
Quando tínhamos este diálogo, o mesmo marginal assaltou uma senhora, que teve o desplante de reagir, sendo fuzilada em via pública. A autoridade policial imediantamente se dirigiu até o assassino, lhe algemou e me chamou:
"Venha comigo, você será testemunha"

Ao chegarmos na delegacia, vi o Delegado espancando um infeliz, e gritando que ele estava condenado à morte. Ao perguntar a um dos ali presentes o que ele tinha feito, recebi a seguinte resposta:
"Este vagabundo matou um mico-leão-da-cara-roxa, vê se pode! Vai ser condenado à morte, assim como o vagabundo que passou aqui anteriormente, preso em flagrante por ter matado uma tartaruga!"
Neste caso, fiquei até com pena de pensar o que aconteceria com o marginal conduzido que havia matado uma inocente senhora. Por fim, o policial que empreendeu a prisão deste meliante relatou ao Delegado o que aconteceu. Imediantamente, o Delegado cessou as agressões ao criminoso anterior, ficou sério, e mandou chamar o que havia acabado de chegar. Logo perguntou:
"Por que você atirou na mulher?"
O meliante argumentou:
"Ah, matei porque ela demorou muito a entregar o dinheiro, e ainda tentou reagir, a velha safada! Mato mesmo!"
Nisso, o Delegado respondeu olhando para todos:
"A frieza deste cidadão, certamente reflete a sua infância eivada de tristezas e amarguras, infância esta que o fez perder os sentimentos e o amor à humanidade. Não devemos condená-lo, devemos ajudá-lo. Por favor escrivão, faça uma solicitação de um emprego a este cidadão, e arranje um apartamento digno, de três quartos para ele estabelecer sua moradia."
E o assaltante disse:
"Quero pedir algo."
"Diga, meu filho." Falou o delegado.
"Eu quero um apartamento no primeiro andar, pois detesto subir escadas."
"Ok. Sua solicitação será atendida."

Praticamente não acreditando no que tinha visto,saí de lá, e achei um bar na esquina. Sentei,pedi uma cerveja para beber, e o dono do bar me disse que cerveja não existia mais, por provocar câncer no esôfago, nos pulmões, nos lábios,  questionando como eu poderia ser tão ignorante no assunto. Por fim, disse que só vendiam água gaseificada. Resolvi não pedir nada.  Apenas estava olhando, na televisão do bar, uma reportagem sobre o domínio da China no mundo, e o bombardeio aos Estados Unidos por todos os países. A reportagem tinha um tom triunfante, dando um sentido que com a derrota americana o mal estava extirpardo do mundo. O bombardeio era exibido com orgulho, corpos de mulheres, homens e crianças estraçalhados, e o dono do bar comentou comigo:
"Vagabundos, tiveram o que mereciam!"

Levantei-me do bar, meio enojado e resolvi procurar uma Igreja, para pedir a Nossa Senhora por minha vida. No entanto, só encontrava mesquitas islâmicas. Ao perguntar sobre onde havia uma Igreja Católica, apenas recebia respostas:
"Hahahahahahaha....Jesus Cristo nunca existiu, seu idiota! O Cristianismo foi proibido por pregar mentiras. Mas, você pode escolher outras religiões como o Budismo, o Islamismo, o Candomblé..."

Diante de toda esta pressão, senti a necessidade de me suicidar. No entanto, resolvi escrever uma carta com repúdio a tudo o que tinha visto. Contudo, eu estava sem papel e caneta. Entrei em uma loja para comprar. Ao pedir um caderno, recebi uma resposta escandalosa:
"Seu monstro!! Será que você não atenta para o desmatamento nas florestas seu alienado, doente,  egoísta??? Não vendemos cadernos!! Você deveria ser preso por pedir isso"

 

 

Escrito por Dostuc às 23h42
[ envie esta mensagem ]
Busca na Web:

Histórico