Pensamentos mais-que-imperfeitos!


12/03/2006


Copacabana, a melhor festa

Faz tanto tempo que eu não posto, que o assunto é até meio velho, mas não custa citá-lo. Queria falar sobre dois shows que ocorreram recentemente no Brasil, U2 e Rolling Stones.
Vou falar primeiro sobre U2, ou seja, vou começar da pior parte. Oh, sim, eu detesto U2.
Não detesto por detestar, e sim por motivos consistentes. Para mim, não existiu período mais abominável para a música, no geral, do que os anos 80. Época dos tecladinhos, dos mullets, dos efeitos de gravação. E a maior encarnação dessa época obscura, para mim, é essa banda irlandesa.
Muitos fãs tentam invocar o U2, como uma banda política, que conscientiza, mas  o fã de U2 não tem nada de diferente com relação à uma tiete qualquer. A melhor amostragem, foi aquela gordinha que passou nos jornais, abraçando e beijando o Bono Vox, quando foi chamada no palco. Qual a diferença daquela cena, para uma fã histérica do Leonardo?
Ah, sim, o Bono vai no Fórum Econômico de Davos, todo o ano, pedir dinheiro para os países pobres. Que bom moço. Vai pro céu desse jeito. Chamar U2 de maior banda de rock na atualidade, é realmente mostrar que o rock já teve seus tempos gloriosos, e agora está na mãos de retardados de óculos gigantes e chapéus de  caubóis. Se dependesse de mim, U2 só tocaria naqueles rodeios que cobram 2kg de alimentos não perecíveis. Isso porque eu não vou falar da aparição de Bono em um trio, na Bahia, ao lado da grande expoente da música brasileira, Ivete Sangalo, pra cantar um axé qualquer. É, se isso é a maior banda de rock, dá mais saudade ainda dos ditos tempos gloriosos do rock.
Falando em tempos gloriosos, falemos do show dos Stones, em Copacabana. Aquilo sim que foi lindo. Ver aqueles sujeitos, embora pelancudos, em pleno vigor. Foi o maior público da história dos Stones (um milhão e quatrocentas mil pessoas), ajudado pela entrada franca. Se bem que, quantidade não significa qualidade, principalmente se tratando do Brasil. Quem compareceu não sabia cantar nenhuma música (afinal, são em inglês), e foram pro show só sabendo falar "I can't get no satisfaction". Aí o Jagger cantava a primeira música e, no intervalo, o público pedia "I can't get no satisfaction". Cantava a segunda, e o público: I can't get no satisfaction". Décima quinta, e o público: "I can't get no satisfaction". Já no bis, o Jagger deve ter pensando: "Bem, já que eles estão pedindo tanto, eles devem saber cantar pelo menos essa". Começou o solo de guitarra conhecidíssimo,de introdução da música, o público vibrou, e Copacabana inteira cantou: "I can't get no satisfaction, I can't get no satisfaction.....", de repente, só se ouviu a voz de Jagger. É que o público não sabia o resto da letra. Mick Jagger, vendo que estava diante de seres primitivos, inventou um "ê-ê-ê, ê-ê-ê" no meio da música, que prontamente era respondido pelo público. E foi tudo festa.
Deu pra matar a saudade do genuíno rock'n'roll. O rock irresponsável, insinuante, picante. Coisa que o U2 nunca soube ser. Pedir dinheiro em Davos, até o Lula faz.

 

 

 


 

Escrito por Dostuc às 02h18
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