Pensamentos mais-que-imperfeitos!


14/10/2005


José Saramago e a esperança brasileira

Muito bem, adiantando minha postagem desse domingo, colocarei uma análise de José Saramago sobre o Brasil. É como diria minha avó, "quem está fora da floresta mede melhor as árvores".

14/10/2005 - 16h28
'Brasil parou na área social', diz Saramago

da BBC, em Londres

O escritor português José Saramago disse nesta sexta-feira que o Brasil não avançou o suficiente na área social e que quem realmente está satisfeito com o país é o FMI (Fundo Monetário Internacional).

"Tenho a impressão de que, do ponto de vista político e social, o Brasil parou. A economia parece que está a funcionar. Pelo menos o FMI parece que está contente e quando o FMI está contente, é mau sinal", declarou ele em Salamanca, durante um evento cultural da 15ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo Ibero-americanos.

"Parece que há alguns protestos sociais e o povo anda insatisfeito lá no Brasil, exatamente porque no campo social não se avançou muito."

O único escritor de língua portuguesa premiado com o Prêmio Nobel, que recebeu em 1998, disse também que prefere evitar conclusões precipitadas em relação às acusações de corrupção no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

"Todo esse processo está complicadíssimo em averiguações. Qualquer palavra que eu diga pode parecer absurdo porque não conheço os fatos e portanto não posso dar uma opinião, principalmente ante uma campanha eleitoral", afirmou.

Personalização

"Não vale a pena personalizar uma coisa como esta. É demasiado grave que o presidente do Brasil depois do trabalho que começou a fazer, não tão bom na verdade por problemas como a reforma agrária, que não avançou, o programa Fome Zero avançou pouco… seja responsabilizado. Mas não estou decepcionado com ele, o problema não é esse."

Saramago também criticou a Cimeira, pedindo que os governantes se preocupem em aplicar na prática as recomendações que propõem em eventos como esse.

"O que se tem a fazer é verificar quais foram e são as intenções dessas cimeiras. Verificar das anteriores o que se cumpriu e o que não. Averiguar as razões porque o que estava planejado não chegou a realizar-se para que o mundo saiba qual o grau de aproveitamento desse trabalho."

"É muita gente, são muitos países, muitas vezes os interesses não coincidem, às vezes são até interesses opostos. Portanto não é fácil. O importante é saber se isto serve para ajudar a resolver os gravíssimos problemas da América Latina", concluiu Saramago.

Escrito por Dostuc às 22h18
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Aviso

Por um determinado período, só estarei postando aos domingos. Por enquanto, tentarei chegar ao outro lado do rio. Não é para entender. Lembrei até de uma música bonitinha agora.

 

Al Otro Lado del Río

Jorge Drexler

 

Clavo mi remo en el agua
Llevo tu remo en el mío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

El día le irá pudiendo poco a poco al frío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

Sobre todo creo que no todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima y yo, soy un vaso vacío

Oigo una voz que me llama casi un suspiro
Rema, rema, rema-a Rema, rema, rema-a

En esta orilla del mundo lo que no es presa es baldío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

Yo muy serio voy remando muy adentro sonrío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

Sobre todo creo que no todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima y yo, soy un vaso vacío

Oigo una voz que me llama casi un suspiro
Rema, rema, rema-a Rema, rema, rema-a

Clavo mi remo en el agua
Llevo tu remo en el mío
Creo que he visto una luz al otro lado

Escrito por Dostuc às 21h52
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O Rei de Havana- Pedro Juan Gutiérrez

 

 

Sempre fui favorável à digitalização de textos. Sei que fere os direitos autorais, mas não vejo problema quando ninguém obtém lucro com a distribuição de textos. Foi assim que eu tive o acesso a uma obra de Pedro Juan Gutiérrez. Ela me custaria uns 50 e poucos reais nas livrarias. Mas me custou 15 segundos de download no eMUle. O nome dela é "O Rei de Havana".
 Antes que torçam o nariz, criticando os livros digitais, dizendo que é bem melhor um livro com folhas, capa, com possibilidade de manuseio, e etc, concordo quando é uma obra para guardar, colecionar, colocar na estante, emprestar. Agora, para a leitura em si, acho uma bobagem esse "preconceito". É até engraçado ver pessoas que ficam horas ou no MSN, ou lendo recados no orkut, ou lendo piadas no e-mail, ou lendo seja lá o que for, dizerem: "Ah, não consigo ler livros digitais. Ler no computador é muito ruim!". Realmente, difícil entender essa "dificuldade".
Mas vamos ao que interessa. O fato é que li esse livro, semana passada, em duas sessões de 3 horas. São 247 páginas fantásticas, de um realismo cru, brilhante. O personagem principal é Reynaldo, habitante de Cuba, um rapaz que se vê sozinho no mundo, perdendo todos os familiares em uma situação trágica, mandado para um reformatório injustamente, que escapa deste, e convive no subúrbio, na miséria, que sempre conviveu. Parece um roteiro já batido, não? Obviamente, parece. Até porque eu fui muito superficial, e genérico, e de longe tudo parece igual. Não posso contar a história das duas pérolas, tampouco a paixão intensa pela vendedora de amendoins, e muito menos o seu destino, que estava mais que traçado. O livro, ao contrário do que apregoam alguns néscios, não mostra só a vida de miséria em Cuba: mostra a miséria de forma geral, os homens rebaixados à condição de bichos, desvinculados de qualquer valor.
Muitos chamam Juan Gutiérrez de "Marquês de Sade latino-americano", por considerarem suas obras pornográficas. Eu, como iniciante em Pedro Juan, e veterano em Marquês de Sade, posso dizer, que são dois autores bem diferentes. Sade satirizava os costumes, os valores impostos, as crenças absolutas, exaltando a lascívia. Muitas histórias de Sade, e ele mesmo confessava, nem o próprio vivenciaria. Já Pedro Juan ,  descreve uma realidade que todos têm ciência, que já viram na TV, leram nos jornais, ou vivenciaram, mas que não pensam profundamente. Ao ler o "Rei de Havana", a sensação que emerge é a sensação de vivenciar tudo aquilo.  O que ambos têm em comum, isso sim, é chocam todo o senso comum, o consenso moral, o politicamente correto, com as palavras. Isso sim, poucos sabem fazer com tanto estilo como essa dupla.

Quanto à história, não me aprofundarei. Não tenho vocação para resenhas literárias. Só recomendo: Leiam!

 

 

 

Escrito por Dostuc às 21h48
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13/10/2005


Prêmio Nobel, prêmio Camões, e os valores literários

Fotos de Lygia Fagundes Telles

 

 Embora o Nobel da Paz seja o prêmio mais popular, considero, por motivos óbvios, o prêmio Nobel de Literatura infinitamente mais importante que qualquer outro.
 A Academia Sueca decidiu hoje dar o prêmio, pelo segundo ano consecutivo, a um europeu. Para o filho de Shakespeare (pelo menos no gênero literário escolhido, e pela nacionalidade), o britânico Harold Pinter. A Academia analisou o sintetizou o trabalho de Pinter como: "obras, nas quais revela o precipício que há por trás do balbuciar cotidiano e que entram nos espaços fechados da opressão".
 Pinter tinha anunciado, há pouco tempo atrás, que largaria a literatura, para se dedicar à crítica política, só escrevendo poemas, esporadicamente. Tomara que ele continue como literato, pois a política eu me convenço, a cada dia, que é um vício maléfico, que atrapalha o talento. É o que eu recomendo: se você pode se libertar da política, liberte-se. Pois, quando ela te enlaça, nunca mais você a abandona. E no fim ela é tão realizante como correr atrás do vento, já diria Salomão.
   Se bem que o lado político de Pinter não deixa de ser interessante já que ele chamou Tony Blair de "Criminoso de guerra" e qualificou os Estados Unidos como "um país dirigido por um bando de delinqüentes". Até na política ele é sábio.
 Por outro lado, a querida romancista tupiniquim Lygia Fagundes Telles, encontra-se em Portugal para receber o Prêmio Camões 2005 de Literatura, o mais importante da língua portuguesa. Mais que merecido, diga-se de passagem. Ela é uma das poucas pessoas que integram a ABL, que honram o título, em uma instituição que tem como membros figuras que fazem tudo, menos literatura, como: Paulo Coelho (sempre ele!), Marco Maciel, e José Sarney.
 Hoje, ela lamentou que o prêmio Nobel nunca tenha premiado brasileiros, e que a literatura brasileira merecia mais atenção. Concordo com a Lygia, mas com uma ressalva: desde que não seja para agradar o politicamente correto e sim o talento. Pois, todo o ano que europeus são premiados, já vêm questionamentos, às vezes justos, mas também muitas vezes discriminatórios. Não é só porque um escritor nasceu no Camboja e é deficiente físico, que ele merece o Nobel de Literatura, e um que nasceu nos campos dinamarqueses, só conhecendo o lado belo da vida, não mereça. Um escritor se qualifica pela arte e não pela nacionalidade. Por exemplo, por mais que a cultura estadunidense (americano sou eu, os bolivianos, os argentinos..) domine o mundo, ninguém se atreve a dizer que qualquer escritor ianque chega aos pés dos russos Dostoiévski e Tolstói. Com todo o respeito a Poe, mas realmente, não dá para competir. A qualidade, o estilo, sobrepõem qualquer preconceito cultural. É claro que nem sempre é assim, como no ano passado em que a obscura austríaca Elfriede Jelinek, foi premiada com o Nobel, provocando revolta.
 O fato é que essas premiações são muito importantes para a descoberta de grandes escritores. Foi assim que, por exemplo, conheci García Marquez e José Saramago. Esses prêmios, na maioria das vezes,  são como uma estrela do oriente para te tirar do domínio dos livros mais áridos que um deserto. E esse ano acho que tanto o Nobel, quanto o prêmio Camões, estão em boas mãos.

 

 Um trecho de um conto de Lygia, que será citada em uma outra oportunidade:

 

Você não acha que esfriou? (Trecho)
"Pronto, querida, a Maria Callas, disse e beijou-a de leve no pescoço, na orelha, mas evitando a boca. Ela chegou a ter um leve desfalecimento, mas o que eu estou fazendo aqui?! Tarde demais para sair correndo, Um imprevisto! Sentiu-se no palco quando começaram as carícias no sofá e sem o menor fervor, mas podia haver fervor? As almofadas que ele teve o cuidado de ajeitar para deixá-la mais confortável, a penumbra atenuando o constrangimento. Que papel miserável, miserável, miserável. E pediu mais uísque. Com a consciência do sorriso alvar que esboçou, ainda quis ajudá-lo, ele tentava agora desabotoar-lhe o sutiã mas se atrapalhou no colchete e na impaciência, a quase irritação, que difícil, Kori! Propositadamente ela reteve as alças nas pontas dos dedos, retardava o instante de mostrar os seios que lembravam dois ovos fritos. Frios. "

 

Escrito por Dostuc às 19h14
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John invejava Paul?

Yoko Ono diz que Lennon invejava popularidade de Paul McCartney



 


Fonte: www.uol.com.br/musica

 

Londres, 11 out (EFE).- John Lennon passava parte das noites em claro perguntando-se como era possível que as canções de seu companheiro Paul McCartney fossem mais populares que as suas.
Ao receber um prêmio especial da revista "Q" por ocasião do 65º aniversário do nascimento de Lennon, sua viúva, Yoko Ono, falou das crises de autoconfiança do famoso membro dos Beatles.

Ono, de 72 anos, assegura tê-lo tranqüilizado então assegurando que suas músicas eram mais sofisticadas que as de seu colega, que seriam mais simples.

"John era muito humano. No meio da noite me acordava para perguntar: por que (outros artistas) interpretam as canções de Paul e nunca as minhas?", lembrou sua viúva.

"Eu respondia para ele: Você é um bom autor de canções, não escreve rimas fáceis. Também é um bom cantor, por isso a maioria dos músicos ficariam muito nervosos se tivessem que interpretá-las".

Seus comentários reavivarão sem dúvida a velha polêmica sobre qual dos dois, Paul ou Lennon, era o melhor letrista e compositor.

Durante a mesma ocasião, Yoko Ono elogiou Liam Gallagher ao afirmar que seu grupo, Oasis, era a guarda do espírito de Lennon no rock moderno.

Oasis ganhou ontem à noite o prêmio da revista "Q" de melhor álbum

Escrito por Dostuc às 00h41
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10/10/2005


Luiza, Vera Fisher e a confusão na cabeça de Tom Jobim

 

Eis um manuscrito de Tom Jobim, da belíssima letra de "Luiza". Tom tinha criado essa música em 1981, sob encomenda, para a novela "Brilhante", da TV Globo. E saiu essa obra-prima.
Tanto foi sob encomenda que, ao compor a letra, Tom se inspirou  em Vera Fisher, a atriz que faria o papel principal na novela. Não é à toa que saíram versos como: "Minha rosa louca, vem me dar um beijo e um raio de sol nos teus cabelos...".  Os cabelos louros de Vera inspiraram o Maestro. O que tornou, cá entre nós, a música bem mais fácil de ser composta, já que não é difícil escrever versos pensando em um mulher linda. Todo um poeta é um mentiroso, já diria Fernando Pessoa, no entanto, diante de mulheres assim, o poeta faz o mesmo que um fotógrafo: só reproduz o que vê. Quando tem que inventar, o poeta exerce o mesmo ofício do pintor, e deixa seu ponto de vista pessoal. Como Baudelaire, que fazia versos belíssimos para uma mulher "zarolha", de cabelos desgrenhados, e desdentada, exaltando a sua beleza.
Mas tudo isso é uma outra questão. Voltemos à história da música. No fim das contas, Tom ficou surpreso, quando a novela estreou, e Vera apareceu....morena!
Mas, já estava feito!

Pra quem não entendeu a letra de Tom Jobim, eis a "versão digital":

 

Rua,
Espada nua
Boia no céu imensa e amarela
Tão redonda a lua
Como flutua
Vem navegando o azul do firmamento
E no silêncio lento
Um trovador, cheio de estrelas
Escuta agora a canção que eu fiz
Pra te esquecer Luiza
Eu sou apenas um pobre amador
Apaixonado
Um aprendiz do teu amor
Acorda amor
Que eu sei que embaixo desta neve mora um coração
Vem cá, Luiza
Me dá tua mão
O teu desejo é sempre o meu desejo
Vem, me exorciza
Dá-me tua boca
E a rosa louca
Vem me dar um beijo
E um raio de sol
Nos teus cabelos
Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar Luiza
Luiza
Luiza

 

Escrito por Dostuc às 23h21
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Velhos hábitos...

 

OLD HABITS DIE HARD (tradução) 

(Mick Jagger)

 

 

Eu pensei estar me libertando
Veja, eu recomeço mais rápido que a maioria
Mas eu sou metade delírios, e a outra mistérios

Você atravessa minhas paredes como um fantasma
E eu vivo cada dia por vez
Eu sou orgulhoso como o leão e sua juba
Agora não há como negar isso, uma nota para chorar
Você está pendurada em minha cabeça

Hábitos antigos são difíceis de se perder
Velhos soldados apenas somem
Hábitos antigos são difíceis de se perder
Mais difícil que as chuvas de novembro
Hábitos antigos são difíceis de se perder
Velhos soldados apenas somem
Hábitos antigos são difíceis de se perder
Difícil o suficiente para sentir doer

Não nos falamos há meses
Veja, eu contei os dias
Um sonho com tanta humanidade, tanta insanidade
Estou perdido como uma criança e estou atrasado
Mas eu nunca peguei seu casaco
Não bloqueei meu telefone
Eu ajo como um viciado, eu preciso ter
Eu não posso deixar isso

Hábitos antigos são difíceis de se perder
Velhos soldados apenas somem
Hábitos antigos são difíceis de se perder
Mais difícil que as chuvas de novembro
Hábitos antigos são difíceis de se perder
Velhos soldados apenas somem
Hábitos antigos são difíceis de se perder
Difícil o suficiente para sentir doer

E não posso desistir de você
Não posso te deixar só
E é tão difícil, tão complicado
É tão difícil que sinto doer

Escrito por Dostuc às 01h57
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