Pensamentos mais-que-imperfeitos!


08/10/2005


Estréia imperdível na HBO!!

 

Roma
HBO arrebata com superprodução banhada em sangue, sexo e lágrimas

Por Suzana Uchôa Itiberê, Revista ISTOÉ
 
 
 

Roma: US$ 100 milhões gastos em 12 episódios e ponto de vista da plebe
Band of Brothers já mostrou o poder de fogo da co-produção entre as redes HBO e BBC. Aquela que se tornou a mais ambiciosa minissérie já realizada (foram US$ 125 milhões) tem agora uma colega em grandiosidade. Roma, que estréia no domingo 9, às 22 horas, consumiu US$ 100 milhões nos 12 episódios da primeira temporada (a segunda já está garantida). É a série mais cara da história. Cada centavo está visível na minuciosa reconstituição de época e nos cenários montados nos estúdios Cinecittà, em Roma.

Mais do que o apuro técnico, são as doses cavalares de sexo, os inúmeros nus frontais de homens e mulheres e os diálogos apimentados que devem atrair o público. A narrativa é folhetim legítimo e situa a trama em 52 a.C., época em que Júlio César se prepara para voltar à capital após oito anos na batalha pela conquista da Gália. Roma é diferente por causa de seu ponto de vista: o da plebe.

O elenco é desprovido de astros, mas há performances inspiradas de um grupo formado pela nata dos coadjuvantes ingleses. Em meio a personagens históricos como Bruto, Pompeu e Marco Antônio, quem se destaca é a desconhecida Atia, a sobrinha de Júlio César (Polly Walker, de Jogos Patrióticos). É uma figura implacável, dona de um humor cínico e de um calculismo de fazer inveja a Cleópatra. Pompa
com circunstância

 
 

Números
Roma é grande em tudo:
– Custou US$ 100 milhões.
– Foi rodada no maior cenário do mundo, com mais de 20.000 metros quadrados
– Exigiu um guarda-roupa de 4.000 peças, 2.500 delas usadas no primeiro episódio
– 750 atores e figurantes participam da cena do triunfo de César

 
 

Escrito por Dostuc às 16h09
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Considerações sobre o bispo suicida

Artigo de André Petry, da revista Veja, que será publicada nas bancas essa semana:

 

Greve de coerência

 

O bispo Luiz Flávio Cappio, que fez greve de fome por onze dias em protesto contra a transposição das águas do Rio São Francisco, é um poço de contradições. Ele afirma que toda a sua formação ocorreu dentro dos parâmetros da Teologia da Libertação, mas é um católico conservador, um admirador do papado de João Paulo II. O bispo é, também, contra o aborto e a eutanásia, tal como ensina a doutrina da Igreja Católica. Confira o que disse o bispo em entrevista sobre o assunto à repórter Julia Duailibi, no sertão de Cabrobó:

Veja – O que o senhor pensa do aborto e da eutanásia, condenados pelo Vaticano?
Cappio –Sou contra o aborto e a eutanásia. Sou totalmente contra isso. Sou um seguidor dos princípios da Igreja.

O bispo está coberto de razão. Afinal, o dogma católico ensina que Deus dá a vida e apenas Deus pode tirá-la. Por isso, os católicos são –em geral, mas isso está longe de ser uma unanimidade –contra o aborto e a eutanásia. O problema é que a greve de fome a que o bispo se submeteu, anunciando que a sustentaria "até a morte", se fosse preciso, atentava contra sua própria vida. Atentava, portanto, contra aquilo que é uma dádiva divina. Ou não?

Veja – Conforme os princípios da Igreja Católica, sua greve de fome não seria indefensável já que, no limite, pode levá-lo à morte?
Cappio – Isso é uma visão distorcida. São vidas que se oferecem em nome de uma causa. Eu não quero morrer. Quero viver. Estou defendendo uma causa. Essa é uma visão distorcida, uma visão que não cabe no momento.

É óbvio que há uma contradição brutal na cabeça do bispo, e não seria correto atribuí-la à escassez de comida. No fundo, talvez haja mais que contradição. Talvez haja oportunismo. Ou, quem sabe, uma dose generosa de hipocrisia. Seria bastante interessante se o bispo fizesse sua greve de fome e, por coerência, também defendesse o aborto e a eutanásia. Estaria, aí sim, abrindo um debate de profunda envergadura dentro da Igreja. Mas não. Para o bispo, as coisas são bem mais simplórias: a vida é um dom divino quando se trata de censurar os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, proibindo-se o aborto, mas deixa de sê-lo no momento em que o bispo quer defender uma boa causa... A vida é coisa de Deus quando se quer impedir o sofrimento lancinante dos pacientes terminais, interditando-se a eutanásia, mas deixa de sê-lo quando o bispo acha que deve deixar de sê-lo...

Por tudo isso, a greve de fome de dom Cappio parece adequar-se melhor ao picadeiro da palhaçada do que à arena do protesto íntegro. Por tudo isso, sua greve de fome foi encerrada com a mesma ligeireza com que se iniciou. Começou sem que o bispo tivesse tentado qualquer contato com o governo para apresentar seu pleito de adiar as obras do São Francisco e, agora, terminou sem que tivesse qualquer garantia de que o governo vai mesmo adiá-las.

E o fato de o governo ter-se envolvido até os cabelos na greve de fome do bispo apenas reforça o aspecto circense do episódio.

Escrito por Dostuc às 15h42
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Um espartano na prefeitura


O prefeito José Serra, um modelo de gestão do PSDB, mostra à frente da prefeitura de São Paulo, que a melhor solução para os miseráveis e sem esperança é jogá-los ao léu, para as aves de rapina comerem carne fresca. E esse senhor que é apontado como a melhor solução para o Brasil ferido com a gestão corrupta do governo Lula. Pois é, estamos perdidos.

 

Serra põe rampa antimendigo na Paulista
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AFRA BALAZINA
da Folha de S.Paulo

A gestão do prefeito José Serra (PSDB-SP) começou nesta semana a instalar rampas de concreto "antimorador de rua" em uma das extremidades da avenida Paulista, na passagem subterrânea que leva à Doutor Arnaldo. O piso será chapiscado, tornando-o mais áspero e incômodo para quem tentar dormir no local.


 Obra para a instalação de rampas de superfície áspera
Uma das rampas que teve a construção iniciada, no lado direito de quem segue para a Doutor Arnaldo, tem cerca de 14 metros de extensão até agora, mas deve ficar ainda maior para ocupar todo o espaço antes do ponto em que a calçada se afunila.

A prefeitura espera terminar a obra nesse lado hoje e, então, começará a construção no lado oposto da passagem.

Segundo os moradores de rua da região, um grupo de 30 pessoas vive na passagem subterrânea. Eles têm quartos improvisados com madeira, cobertores e vassouras e fogões feitos com pedra.

A Folha encontrou dez pessoas na área, entre as quais quatro crianças e um bebê de dez meses. Agora, o grupo fica somente do lado esquerdo de quem vai para a Doutor Arnaldo, onde ainda não foi iniciada a obra.

O argumento da prefeitura para a construção da rampa é tentar diminuir as queixas de assaltos na região e o número de pessoas cheirando cola.

"Tivemos muitas reclamações sobre assaltos no local quando o trânsito fica lento e recebemos informações de que havia um ponto de drogas ali. Por isso, estamos fechando as pontas do viaduto", afirmou o subprefeito da Sé, Andrea Matarazzo. Ele disse ainda que é dever do poder público proteger e garantir a segurança da população da cidade.

 

Críticas

"Como você se sentiria se fosse expulso da sua casa? É assim que me sinto hoje. Mas, se não houver outro jeito, vou procurar outro lugar para ficar", disse o morador de rua Rogério da Silva, 32, que está ali há um ano e dois meses.

A construção da rampa é considerada pelo padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua, como mais uma ação "higienista" do prefeito José Serra. "Essa política está ocorrendo na cidade, principalmente em áreas nobres e centrais, para que não haja a convivência com as pessoas da rua e dar a falsa impressão de que o problema não existe", afirma.

Outras ações do governo municipal criticadas por entidades foram a expulsão de moradores instalados embaixo do viaduto na rua João Moura, em abril, e a expulsão da cooperativa de catadores de Pinheiros.

"Os moradores de rua têm direito de ir e vir, mas não podemos permitir esses pontos de assalto. Isso nada tem a ver com higienismo. Não podemos confundir bandidos com moradores de rua", afirmou Matarazzo ao ser questionado sobre a concentração de sem-teto na passagem.

Segundo Matarazzo, há uma situação parecida na Amaral Gurgel, onde também vivem moradores de rua. Entretanto, diz, lá não existem problemas de assalto.

O presidente da Associação Paulista Viva, Nélson Baeta Neves, defende a ação da prefeitura. "O cartão-postal da cidade tem de ser preservado. Sabemos das dificuldades sociais, mas não dá para ter gente morando na Paulista. A cidade precisa de ordem." Ele acredita que, quando um cidadão mora na rua, ocupa um espaço público e prejudica o restante da comunidade.

 

 

Serra desativa casa de apoio a doentes sem chance de cura
De Cláudia Collucci na Folha de S. Paulo:

 

A gestão do prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), desativou ontem, véspera do Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, a casa de apoio a doentes sem chances de cura, considerada modelo na área pela Academia Nacional de Cuidados Paliativos.


Inaugurada no ano passado, a casa, chamada de hospedaria, funcionava em uma antiga residência dos barões do café localizada na Aclimação (zona sul). Ali não eram feitos procedimentos invasivos. Havia apenas oxigênio, soro e remédios para evitar a dor. Os pacientes tinham direito a acompanhante e, quando o estado de saúde permitia, podiam sair para visitar a família.

"É uma vergonha, um absurdo. No momento em que o país e o mundo discutem a importância dos cuidados paliativos, a desativação da casa, que fazia um trabalho elogiável, é um total retrocesso", disse Maria Goretti Maciel, presidente da academia e que dirige o setor de cuidados paliativos do Hospital do Servidor Estadual."

 

 

Escrito por Dostuc às 12h51
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Wilson X Noel: uma briga poética!


 Nos anos 30, o Brasil acompanhou de forma excitante, um embate entre dois gigantes de nossa música. Não, eles não foram em um programa popular de TV, e começaram a se xingar. O que aconteceu foi uma interação dialética que acabou sendo sintetizada em belíssimas composições. Uma disputa entre dois grandes sambistas, reinvidicando a malandragem: Wilson Batista e Noel Rosa.
 Tudo começou em 1934 quando Wilson Batista lançou um samba intitulado "Lenço-no-pescoço", exaltando a figura do malandro carioca. Nos versos da música ele dizia: "Meu chapéu do lado/ Tamanco arrastando/ Lenço no pescoço/ Navalha no bolso/ Eu passo gingando/ Provoco e desafio/ Eu tenho orgulho/ Em ser tão vadio". Esse tipo de malandro, era o malandro que se assemeçlhava à Wilson, freqüentador das zonas de baixo meretrício, e amigo de figuras conhecidas pela polícia. Até que Noel Rosa, o famigerado sambista de Vila Isabel, outro malandro, mas de outro estilo, compôs o samba "Rapaz Folgado", em uma resposta ao malandro descrito por Batista: “Deixa de arrastar o seu tamanco / Que tamanco nunca foi sandália / Tira do pescoço o lenço branco / Compra sapato e gravata / Joga fora esta navalha que te atrapalha" “Proponho ao povo civilizado/Não te chamar de malandro/E sim de rapaz folgado”. Os versos davam claramente fogo ao embate década.
 Wilson Batista, em resposta ao ataque de Noel, compõe "Mocinho da Vila", em que profere os seguintes versos: "Você que é mocinho da Vila / Fala muito em violão, barracão e outros fricotes mais/ Se não quiser perder o nome cuide do seu microfone / Deixe quem é malandro em paz /Injusto é seu comentário / Fala de malandro quem é otário /Mas malandro não se farte /Eu de lenço no pescoço desacato e também tenho o meu cartaz"
 Noel, por sua vez, compôs "Feitiço da Vila", reinvidicando a sua legitimidade como sambista: "Quem nasce lá na Vila, nem sequer vacila, ao abraçar o samba /Que faz dançar os galhos do arvoredo e faz a lua nascer mais cedo /Lá em Vila Isabel, quem é bacharel não tem medo de bamba /São Paulo dá café, Minas dá leite e a Vila Isabel dá samba/ A Vila tem um feitiço sem farofa, sem vela e sem vintém, que nos faz bem /Tendo nome de princesa, transformou o samba /Num feitiço decente que prende a gente/ O sol na Vila é triste, samba não assiste, porque a gente implora/ Sol, pelo amor de Deus, não venha agora que as morenas vão logo embora/ Eu sei tudo que faço, sei por onde passo, paixão não me aniquila/ Mas tenho que dizer, modéstia à parte, meus senhores, eu sou da Vila".
 Batista, com ironias e ataques, responde à exaltação de Noel, e compõe conversa fiada, cujos versos dizem: É conversa fiada dizerem que o samba na Vila tem feitiço/ Eu fui lá ver para crer e não vi nada disso / A Vila é tranqüila porém eu vos digo: cuidado, antes de irem dormir dêem duas voltas no cadeado/ Eu fui à Vila ver o arvoredo se mexer e conhecer o berço dos folgados/ A lua essa noite demorou tanto e assassinaram o samba/ Veio daí o meu pranto".
 A luta não tinha acabado aí, e Noel Rosa responde aos ataques de Noel compondo "Palpite Infeliz", defendendo a sua Vila: Quem é você que não sabe o que diz/ Meu Deus do céu que palpite infeliz/ Salve Estácio, Salgueiro, Mangueira, Osvaldo Cruz e Matriz/ Que sempre souberam muito bem/ Que a Vila não quer abafar ninguém/ Só quer mostrar que faz samba também/ Fazer poema lá na Vila é um brinquedo/ Ao som do samba dança até o arvoredo/ Eu já chamei você pra ver/ Você não viu porque não quis/ Quem é você que não sabe o que diz... /A Vila é uma cidade independente/ Que tira samba mas não quer tirar patente/ Pra que ligar pra quem não sabe aonde tem o nariz/ Quem é você que não sabe o que diz... ". Noel assim, defendia os redutos cariocas, e esvaziava a crítica de Batista.
 No entanto, como em toda a discussão acalorada, a questão já começava a partir para o lado pessoal. Noel era conhecido por ser tímido, em função de um defeito físico que ele tinha no rosto, o que o afligia bastante. Wilson Batista, compôs então um samba chamado "Frankstein da Vila", em que criticava a feiúra do poeta da Vila: "Boa impressão nunca se tem/ Quando se encontra um certo alguém/ Que até parece um Frankenstein/ Mas como diz o rifão: por uma cara feia perde-se um bom coração/ Entre os feios é o primeiro da fila/ Todos reconhecem lá na Vila/ Essa indireta é contigo/ Depois não vai dizer que eu não sei o que digo/ Sou teu amigo".
 Noel não respondeu ao ataque, e a discussão se encaminhava para o fim. Em um encontro casual entre os dois compositores, na Lapa, Wilson Batista improvisou para debochar do rival, que tinha supostamente perdido a batalha, cantando a música "Terra de Cego": "Perde a mania de bamba/ Todos sabem qual é o teu diploma do samba/ É o abafa da Vila, bem sei/ Mas em terra de cego quem tem um olho é rei/ Pra não terminar a discussão/ Não deves apelar para o barulho à mão/ Em versos podes bem desacatar/ Pois não fica bonito bacharel brigar". O desfecho foi dado, quando Noel, ao ouvir essa canção, propôs outra letra, que ele fez na hora, em parceria com Wilson, intitulada "Deixa de ser convencida": Deixa de ser convencida/ Todos sabem qual é teu velho modo de vida/ És uma perfeita artista, eu bem sei/ Também fui do trapézio, até salto mortal no arame já dei/ E no picadeiro desta vida, serei o domador/ Serás a fera abatida/ Conheço muito bem acrobacia/ Por isso não faço fé em amor de parceria".
 Chegava ao fim a luta entre os dois malandros. No fim, restava a pergunta: quem ganhou? Wilson Batista, por ter feito Noel ficar sem resposta? Ou Noel, por não responder aos ataques pessoais, matendo sua postura elegante? Não emitirei uma opinião a respeito. O fato inegável é que em toda essa discussão, houve uma vencedora incontestável: A Música Popular Brasileira. Viva a malandragem! Essa tal malandragem que ,nas palavras de Chico, não existe mais.

 

Escrito por Dostuc às 12h20
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07/10/2005


De"bate"s

"Pelo amor de Deus, parem com isso."

(Aldo Rebelo, comunista e presidente da Câmara, ao ver ontem os deputados Inocêncio Oliveira e Arlindo Chináglia quase saírem no tapa)

 

Brasília (Fonte: O Globo) - Os deputados Inocêncio Oliveira (PL-PE), primeiro-secretário da Mesa Diretora da Câmara, e Arlindo Chinaglia (PT-SP), líder do governo na Câmara, envolveram-se em uma briga no plenário durante a votação da Medida Provisória 252, a chamada MP do bem. Os dois chegaram a se agredir fisicamente com algumas barrigadas. Quando se preparavam para dar um murro na cara do outro, foram contidos pelo deputado Sarney Filho (PV-MA), que pulou no meio deles.

"Esse governo não gosta dos aposentados. O de Fernando Henrique também não gostava, mas esse é pior. Essa não é a MP do Bem. Se não é a MP do Mal, é a MP Mais ou Menos", acusou Inocêncio. E subiu para a Mesa. Chinaglia não gostou. Foi para o microfone e atacou Inocêncio: "Essa é a MP do Bem sim. Quem não é homem para cumprir os acordos, que assuma com suas bases".

Inocêncio, que é de Serra Talhada, onde nasceu o cangaceiro Virgulino Lampião, não gostou do desafio. Desceu até onde estava Chinaglia. "Não aceito que me intimide. Se o senhor está nervosinho, vá ficar nervosinho em outro lugar". Nesse momento em que subiam o tom, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), cortou o som dos microfones. Os dois começaram a gritar um com outro, se empurrar e dar barrigadas. Levantaram os punhos para se esmurrar.

Sarney Filho pulou entre ambos. João Fontes (PDT-SE), Carlos Batata (PFL-PE) e Ronaldo Caiado (PFL-GO) agarraram Inocêncio e o levaram para o meio do plenário. De cima da Mesa o presidente Aldo dizia: "Calma, gente, calma. Senão, suspendo a sessão". E o fez.

Inocêncio tentou voltar. Foi de novo agarrado. Chinaglia encostou-se no microfone que fica na parte mais à frente, do lado esquerdo. O ex-ministro José Dirceu (PT-SP) cruzou os braços. Ora olhava para um e para outro. E balançava a cabeça de um lado para o outro.

No meio do plenário o deputado Sérgio Miranda (PDT-MG), contrário à MP do Bem, incitava Inocêncio. "Você tem razão. É isso mesmo. Ele foi grosseiro com você". Carlos Batata implorava: "Calma Inocêncio, por Pernambuco, não faça isso". Passados dois minutos, Inocêncio pareceu se acalmar. Voltou para a frente do plenário. Ao passar perto de Chinaglia, ficou novamente nervoso. Foi para cima do líder. De novo, foi contido. Subiu então para a Mesa e sentou-se à direita do presidente. Aldo pôs a mão direita sobre seu braço esquerdo e também pediu calma. A votação da MP foi adiada.

 

 

Música: O MELHOR, MAIS BONITO, É MORRER

 

Autor(es): Carlos Lyra & Oduvaldo Vianna Filho

 

 

Do musical “A Mais-Valia Vai Acabar Seu Edgar”
Música 6

Já que não há o que fazer
Se não há onde trabalhar
Se meu braço tem de parar
O melhor, mais bonito, é morrer

Fotografia no jornal
Isso é que é!
Discussão no Congresso Nacional
Sensacional!
Muita gente morre,
É anormal!
Será que a vida faz mal?
O melhor, mais bonito, é morrer

Dou trabalho pro vigário
Pro agente funerário
Dou trabalho pro coveiro
Dou trabalho pro carpideiro

Fotografia no jornal
Isso é que é!
Discussão no Congresso Nacional
Sensacional!
Muita gente morre,
É anormal!
Será que a vida faz mal?
O melhor, mais bonito, é morrer

´

 

 

Escrito por Dostuc às 21h36
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Ônibus 174

As fotos da postagem anterior são desse filme que eu assisti há um tempo atrás. Vi um comentário dele na internet, escrito por Diogo Mattos (do site cinefilo.com.br), e lembrei-me de recomendá-lo. É mais que necessário nesse momento. Abaixo, a sinopse de Diogo.

 

Jardim Botânico, Rio de Janeiro. 12, de junho de 2000. O Brasil inteiro pára diante da TV. Um homem, após uma frustrada tentativa de assalto, mantém os passageiros de um ônibus como reféns durante uma tarde. Momentos dramáticos até um final trágico: um policial dá dois tiros no seqüestrador, mas erra ambos. O criminoso mata uma refém. Muitos já se esqueceram deste triste episódio da história recente do país. Felizmente, existem filmes como "Ônibus 174" (BRA - 2002) para colocarem o dedo em uma ferida que está longe de ser cicatrizada. 

O seqüestrador era Sandro do Nascimento. Aos 6 anos, ele presenciou a mãe grávida ser morta a facadas. Depois disso, fugiu da casa da tia e se tornou um menino de rua. Foi um sobrevivente da chacina da Candelária (lembra-se?). Viciou-se em drogas, e participou de assaltos para comprar tóxicos. Chegou a ser internado em instituições para menores, como a Febem. Saindo de lá, foi adotado por uma mulher na favela Nova Holanda. Já maior de idade, chegou a ser preso, mas fugiu. Aos 21 anos, após seqüestrar o ônibus que realizava a linha 174, foi capturado pela polícia e morto por asfixia, já imobilizado, dentro do camburão. 

O diretor José Padilha opta por intercalar o desenrolar do seqüestro com a história da vida de Sandro. E ainda há depoimentos de familiares e amigos de Sandro, meninos de rua, policiais que participaram da ação, uma assistente social que trabalhava com as crianças da Candelária e de um ex-secretário de segurança do Rio. O que o diretor quer não é defender o criminoso. Também são mostrados os defeitos de Sandro, os crimes que cometeu, seu envolvimento com drogas. Ao traçar o perfil de Sandro, mostrando sua história desde o início, o que o diretor mostra é que aquela tragédia que ocorreu era inevitável. E, se a sociedade continuar a "fabricar" e excluir tantos meninos e meninas de rua, outros Sandros irão aparecer por aí. E ninguém vai querer estar no ônibus 174 da vez quando outros deles entrarem em ação. 

O caso do seqüestro do ônibus mostra também outro grande problema brasileiro: o total despreparo da polícia. Um policial diz que "toda a falta de capacitação, treinamento e equipamentos de uma polícia ficam evidentes em uma ação de seqüestro". Vemos ali uma sucessão de erros constrangedora, com policiais se comunicando por gestos, excesso de negociadores, falta de controle do tráfego de repórteres no local e uma misteriosa autoridade dando ordens por telefone e impedindo que a solução mais adequada segundo os especialistas entrevistados - a morte do seqüestrador por atiradores de elite - fosse tomada. Isso sem contar com a amadora conclusão com que tudo se resolveu. Um policial despreparado atirando em Sandro e errando os dois disparos, e o sufocamento absolutamente desnecessário do bandido, já imobilizado (os policiais que mataram Sandro foram absolvidos depois). Preocupante saber que aquela é aquela mesma polícia é a responsável por manter a nossa segurança. 

Ao ser imobilizado e levado para o camburão, uma multidão de curiosos que acompanhavam o caso tentou linchar Sandro. No dia seguinte, uma rádio fez uma pesquisa sobre o que a população achou da ação da polícia. E a maioria esmagadora dos ouvintes concordou com o sufocamento do criminoso. É muito mais fácil agir assim. Daí a importância e a coragem de se fazer este filme. José Padilha já merecia ser aplaudido só pela iniciativa. Mas não é só a premissa que é interessante, o resultado final é um documentário de primeira. Desde a primeira cena, uma longa e belíssima tomada aérea que passa por boa parte da cidade do Rio de Janeiro, até o fim, não menos belo, embora trágico, com o enterro de Sandro sendo acompanhado apenas por sua mãe adotiva, precedido de um depoimento de sua tia, que dizia não ir ao enterro com medo de sofrer retaliações depois. 

Nas palavras de uma das reféns, Sandro foi a maior vítima da história. O que não deixa de ser verdade. Sim, culpado por um seqüestro, um dos crimes mais abomináveis que existe, e por matar Geíza, uma inocente professora que não tinha culpa de nada. Mas vítima de um Estado ineficiente, cujas instituições corretivas, tanto para menores quanto para adultos, são na verdade fábricas de criminosos. Vítima também de uma sociedade que não dá a menor importância para a criança abandonada – constatação muito bem ilustrada em cenas que mostram crianças fazendo malabarismos em frente a sinais de trânsito, enquanto os motoristas fechavam os vidros dos carros e olhavam para outros lados. 

É impressionante o poder de "Ônibus 174". O filme é – na falta de uma expressão melhor, vai um lugar comum mesmo – um soco no estômago do espectador. Tristeza, espanto, vergonha, revolta são alguns dos sentimentos que o filme desperta em cada um de nós. Nunca vi um silêncio tão grande na saída de um cinema como neste filme. Não há o que dizer depois de levar um tapa na cara como este. Quando for assistir ao filme, vá precavido: provavelmente você ficará emocionalmente arruinado no mínimo pelo resto do dia. Mas não por isso "Ônibus 174" deve deixar de ser visto. Ignorar a realidade é muito mais prejudicial. 

Não gosto de terminar palpites recomendando filme tal, parece jabá. Mas é impossível não falar sobre "Ônibus 174" sem dizer: assista ao filme. Descubra não só que se realizam documentários no Brasil – e eles são bons. Não se trata apenas cinema, o filme vai muito mais longe que isso. O mais importante é que ele nos faz lembrar que, embora a gente não queira enxergar, há milhares de pessoas querendo deixar de ser invisíveis, querendo ser tratadas como pessoas ao invés de problemas. E que ignorá-los é o pior caminho.

Escrito por Dostuc às 21h18
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Nessa terra de bandidos e homens de bem...

 De todas as discussões que já pude acompanhar em minha vida, presencio as mais ridículas nesse prelúdio ao referendo sobre o desarmamento. Qualifico-as assim, porque os argumentos são lamentáveis em ambos os lados. De um lado, uma frente de defesa ao direito da legítima defesa, e de outro a da defesa da vida. Em comum, a preocupação com o "bandido" atacar o "homem de bem".
 É lamentável que, em pleno século XXI, ainda sejam usados argumentos maniqueístas para classificarem os seguimentos da sociedade. O "bandido" é exposto como um perigo que deve ser extirpado,com a legítima defesa (ou seja, metendo bala na cabeça dos vagabundos), ou exposto como uma fera que presisa ser "desdentada", com o desarmemento (ou seja, tirando a bala da boca da criança). Em suma, são essas as soluções apresentadas para a proteção do "homem de bem", esse sim, virtuoso, homem de família, contribuinte do IR, religioso, e assustado com a violência.
 Sem contar as guerras de pesquisas que são cômicas. Com pesar, vejo pessoas inteligentes, dando credibilidade à esses dados que vão de acordo com cada conveniência. Dizem os do "Não": "Na Suíça, o comércio é liberado e os índices de mortes por armas de fogo são ínfimos. Na Autrália, ocorreu a proibição e o índice de crimes violentos aumentou vertiginosamente". Dizem os do sim: "No Zimbábue o comércio de armas foi proibido e o índice de crimes diminui abruptamente. Na África do Sul, o comércio foi liberado e os crimes aumentaram terrivelmente". Interessante não? Mais interessante ainda é descobrir quais as semelhanças, na formação cultural, que o Brasil tem com Suíça, Austrália, Zimbábue ou África do Sul, que justifiquem essas comparações pitorescas. Não diferencia muito do que perguntar se o índice de criminalidade aumentou ou diminuiu, com a ausência de armas da Lua.
 Sonho com o dia em que haja um referendo como: os 6% de ricos do país devem ter uma expropriação em benefício dos 80% de brasileiros que ganham abaixo de 4 salários mínimos? Mas não, não é bom mexer com o homem de bem. A preocupação é o que fazer com os bandidos. Um dia abrem uma fossa no Maracanã, e enterram todos os que têm tendência à bandidagem. O problema é que muita gente, que apesar de viver em situações aviltantes, ainda obedece às leis, também poderá ser enterrada inocentemente. Não é fácil ser homem de bem, quando você já é visto como bandido desde o seu nascimento.
 Qual será meu voto? Apesar de não poder colocar tudo isso em meu voto, vou votar no "Sim". Mas votarei só para contribuir com o prejuízo à indústria armamentícia (pelo menos por vias legais), antes que ela ganhe musculatura e crie uma nova necessidade na vida de todos os brasileiros, podendo chegar no dia em que assim como o celular, não saiamos sem uma arma, de casa. Eu não acredito na fábula da diminuição da criminalidade, banindo as armas. Mas também não acredito muito menos que devemos montar trincheiras para nos protegermos dos outros. O grande desafio é a integração, dar oportunidade aos desvalidos. Esse que deveria ser o ponto. 
 

Hey Joe
Composição: Hendrix, adaptação de Falcão

Hey joe
onde é que você vai
com essa arma aí na mão

hey joe
esse não é o atalho
pra sair dessa condição

dorme com tiro acorda ligado
tiro que tiro trik-trak boom
para todo lado

meu irmão, é só desse jeito
consegui impor minha moral
eu sei que sou caçado
e visto sempre como um animal

sirene ligada os homi
chegando trik-trak
boom boom
mas eu vou me mandando

hey joe
assim você não curte o brilho
intenso da manhã
acorda com tiro dorme com tiro

hey joe
o que o teu filho vai pensar
quando a fumaça baixar

fumaça de fumo
fogo de revóver
e é assim que eu faço eu faço
eu faço, eu faço a minha história

meu irmão, aqui estou por causa dele
e vou te dizer
talvez eu não tenha vida
mas é assim que vai ser
armamento pesado
corpo fechado
eu quero é mais ver
mais vai ser difícil me deter

Hey Joe,
Muitos castelos já caíram e você tá na mira
Tá na mira, tá na mira, tá na mira

Hey, hey, hey, hey Joe
Muitos castelos já caíram e você tá na mira

Também morre quem atira.

menos de 5% dos caras do local
são dedicados a alguma atividade marginal
e impressionam quando aparecem nos jornais
tapando a cara com trapos
com uma uzi na mão
parecendo árabes do caos.
sinto muito cumpadi
mas é burrice pensar
que esses caras
é que são os donos da biografia
já que a grande maioria
daria um livro por dia
sobre arte, honestidade e sacrifício

 


 

Escrito por Dostuc às 21h14
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04/10/2005


Uns versos

 

Um chorinho em mente

(Laerte Freire)

 

Descompassadamente
Taquicardicamente
Descontroladamente
Eu desejei você
Apaixonadamente
Lovestoricamente
Idolatradamente
Eu adorei você
Enfeitiçadamente
Heliotropicamente
Apostolicamente
Eu segui você
Resignadamente
Cristianissimamente
Interminavelmente
Eu perdoei você

 

Astuciosamente
Maquiavelicamente
Silenciosamente
Você me enredou
Insaciavelmente
Aracnidicamente
Canibalescamente
Você me devorou
Indecorosamente
Despudoradamente
Pornograficamente
Você me enganou
Arrasadoramente
Desmoralizantemente
Definitivamente
Você me aniquilou

 

Escrito por Dostuc às 10h04
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03/10/2005


Não quero mais não, Morfeu!

Não Sonho Mais

(Chico Buarque)

 

Hoje eu sonhei contigo, tanta desdita, amor nem te digo
Tanto castigo que eu tava aflita de te contar

Foi um sonho medonho desses que às vezes a gente sonha
E baba na fronha, e se urina toda e quer sufocar
Meu amor vi chegando um trem de candango
Formando um bando mas que era um bando de orangotango pra te pegar
Vinha nego humilhado, vinha morto-vivo, vinha flagelado
De tudo que é lado vinha um bom motivo pra te esfolar
Quanto mais tu corria mais tu ficava, mais atolava
Mais te sujava, amor, tu fedia, empesteava o ar
Tu que foi tão valente chorou pra gente, pediu piedade
E, olha que maldade, me deu vontade de gargalhar

Ao pé da ribanceira acabou-se a liça e escarrei-te inteira
A tua carniça e tinha justiça nesse escarrar
Te rasgamo a carcaça, descendo a ripa, viramo as tripas
Comendo os ovos, ai, e aquele povo pôs-se a cantar

Foi um sonho medonho desses que às vezes a gente sonha
E baba na fronha e se urina toda e já não tem paz
Pois eu sonhei contigo e caí da cama
Ai, amor, não briga, ai, não me castiga
Ai, diz que me ama e eu não sonho mais


Escrito por Dostuc às 12h20
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