
O prefeito José Serra, um modelo de gestão do PSDB, mostra à frente da prefeitura de São Paulo, que a melhor solução para os miseráveis e sem esperança é jogá-los ao léu, para as aves de rapina comerem carne fresca. E esse senhor que é apontado como a melhor solução para o Brasil ferido com a gestão corrupta do governo Lula. Pois é, estamos perdidos.
Serra põe rampa antimendigo na Paulista
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AFRA BALAZINA
da Folha de S.Paulo
A gestão do prefeito José Serra (PSDB-SP) começou nesta semana a instalar rampas de concreto "antimorador de rua" em uma das extremidades da avenida Paulista, na passagem subterrânea que leva à Doutor Arnaldo. O piso será chapiscado, tornando-o mais áspero e incômodo para quem tentar dormir no local.
Obra para a instalação de rampas de superfície áspera
Uma das rampas que teve a construção iniciada, no lado direito de quem segue para a Doutor Arnaldo, tem cerca de 14 metros de extensão até agora, mas deve ficar ainda maior para ocupar todo o espaço antes do ponto em que a calçada se afunila.
A prefeitura espera terminar a obra nesse lado hoje e, então, começará a construção no lado oposto da passagem.
Segundo os moradores de rua da região, um grupo de 30 pessoas vive na passagem subterrânea. Eles têm quartos improvisados com madeira, cobertores e vassouras e fogões feitos com pedra.
A Folha encontrou dez pessoas na área, entre as quais quatro crianças e um bebê de dez meses. Agora, o grupo fica somente do lado esquerdo de quem vai para a Doutor Arnaldo, onde ainda não foi iniciada a obra.
O argumento da prefeitura para a construção da rampa é tentar diminuir as queixas de assaltos na região e o número de pessoas cheirando cola.
"Tivemos muitas reclamações sobre assaltos no local quando o trânsito fica lento e recebemos informações de que havia um ponto de drogas ali. Por isso, estamos fechando as pontas do viaduto", afirmou o subprefeito da Sé, Andrea Matarazzo. Ele disse ainda que é dever do poder público proteger e garantir a segurança da população da cidade.
Críticas
"Como você se sentiria se fosse expulso da sua casa? É assim que me sinto hoje. Mas, se não houver outro jeito, vou procurar outro lugar para ficar", disse o morador de rua Rogério da Silva, 32, que está ali há um ano e dois meses.
A construção da rampa é considerada pelo padre Júlio Lancellotti, da Pastoral do Povo da Rua, como mais uma ação "higienista" do prefeito José Serra. "Essa política está ocorrendo na cidade, principalmente em áreas nobres e centrais, para que não haja a convivência com as pessoas da rua e dar a falsa impressão de que o problema não existe", afirma.
Outras ações do governo municipal criticadas por entidades foram a expulsão de moradores instalados embaixo do viaduto na rua João Moura, em abril, e a expulsão da cooperativa de catadores de Pinheiros.
"Os moradores de rua têm direito de ir e vir, mas não podemos permitir esses pontos de assalto. Isso nada tem a ver com higienismo. Não podemos confundir bandidos com moradores de rua", afirmou Matarazzo ao ser questionado sobre a concentração de sem-teto na passagem.
Segundo Matarazzo, há uma situação parecida na Amaral Gurgel, onde também vivem moradores de rua. Entretanto, diz, lá não existem problemas de assalto.
O presidente da Associação Paulista Viva, Nélson Baeta Neves, defende a ação da prefeitura. "O cartão-postal da cidade tem de ser preservado. Sabemos das dificuldades sociais, mas não dá para ter gente morando na Paulista. A cidade precisa de ordem." Ele acredita que, quando um cidadão mora na rua, ocupa um espaço público e prejudica o restante da comunidade.
Serra desativa casa de apoio a doentes sem chance de cura
De Cláudia Collucci na Folha de S. Paulo:
A gestão do prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), desativou ontem, véspera do Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, a casa de apoio a doentes sem chances de cura, considerada modelo na área pela Academia Nacional de Cuidados Paliativos.
Inaugurada no ano passado, a casa, chamada de hospedaria, funcionava em uma antiga residência dos barões do café localizada na Aclimação (zona sul). Ali não eram feitos procedimentos invasivos. Havia apenas oxigênio, soro e remédios para evitar a dor. Os pacientes tinham direito a acompanhante e, quando o estado de saúde permitia, podiam sair para visitar a família.
"É uma vergonha, um absurdo. No momento em que o país e o mundo discutem a importância dos cuidados paliativos, a desativação da casa, que fazia um trabalho elogiável, é um total retrocesso", disse Maria Goretti Maciel, presidente da academia e que dirige o setor de cuidados paliativos do Hospital do Servidor Estadual."