
Talvez o nome mais citado nesse blog, seja o dele, Chico Buarque. Pelo menos estou fazendo minha parte, e reconhecendo-o em vida. Pois, após a sua morte, surgirão várias coletâneas, documentários, regravações e todo o Brasil, com cinismo, falará: "Poxa, Chico Buarque é bom e eu não sabia. Pensei que o rei era Roberto Carlos". É como diria Tom Jobim (que pra mim foi o maior brasileiro de todos os tempos): "No Brasil, artista bom é artista morto".
Pois bem, o objetivo dessa postagem é comunicar sobre o documentário que está acontecendo há 3 semenas, todo o domingo, 22h na Bandeirantes, sobre esse, que é o maior artista da música brasileira vivo. No país de lacraias, serginhos, popozudas, cachorras e calypsos, Chico Buarque é como um cisne passando imponente, e sem se manchar, no meio da lama. Já não era sem tempo essa homenagem, afinal, se Roberto Carlos tem um especial de fim de ano, todos os anos, por que Chico não pode ter um especial dedicado a ele?
Parabéns à rede Bandeirantes, que não fez uma homenagem póstuma, e sim, está dando uma oportunidade a todos os brasileiros de saberem quem é o seu maior orgulho. Nem tudo está perdido!
Deixo mais uma letra das inúmeras, desse ícone:
Sonhos, sonhos são
Negras nuvens
Mordes meu ombro em plena turbulência
Aeromoça nervosa pede calma
Aliso teus seios e toco
Exaltado coração
Então despes a luva para eu ler-te a mão
E não tem linhas tua palma
Sei que é sonho
Incomodado estou, num corpo estranho
Com governantes da América Latina
Notando meu olhar ardente
Em longínqua direção
Julgam todos que avisto alguma salvação
Mas não, é a ti que vejo na colina
Qual esquina dobrei às cegas
E caí no Cairo, ou Lima, ou Calcutá
Que língua é essa em que despejo pragas
E a muralha ecoa
Em Lisboa
Faz algazarra a malta em meu castelo
Pálidos economistas pedem calma
Conduzo tua lisa mão
Por uma escada espiral
E no alto da torre exibo-te o varal
Onde balança ao léu minh’alma
Em Macau, Maputo, Meca, Bogotá
Que sonho é esse de que não se sai
E em que se vai trocando as pernas
E se cai e se levanta noutro sonho
Sei que é sonho
Não porque da varanda atiro pérolas
E a legião de famintos se engalfinha
Não porque voa nosso jato
Roçando catedrais
Mas porque na verdade não me queres mais
Aliás, nunca na vida foste minha






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