Pensamentos mais-que-imperfeitos!


11/06/2005


Elis!

Como nossos pais

Não quero lhe falar meu grande amor das coisas que aprendi nos discos
Quero lhe contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar, eu sei que o amor é uma coisa boa
Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa
Por isso cuidado meu bem, há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal está fechado prá nós que somos jovens
Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz
Você me pergunta pela minha paixão
Digo que estou encantada com uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração
Já faz tempo que eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida
Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais
Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não enganam não
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer que eu 'tô por fora', ou então que eu 'tô inventando'
Mas é você que ama o passado e que não vê
É você que ama o passado e que não vê
Que o novo sempre vem
Hoje eu sei que quem me deu a idéia de uma nova consciência e juventude
Tá em casa guardado por Deus contando vil metal
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo, tudo, tudo o que fizemos
Nós ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
como nosso pais

Eu acho essa música tão linda, a letra dela é de Belchior, e ficou imortalizada na voz de Elis Regina. A única ressalva que eu faço é que hoje nós não podemos dizer que o "novo sempre vem". Diante da decadência da nova geração cultural, podemos dizer que os nossos ídolos, por muito tempo, ainda continuarão sendo os mesmos. A começar por você Elis.

Escrito por Dostuc às 18h28
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Geração estática

A revista Cult, ótima como sempre, trouxe esse mês uma entrevista com Roberto Freire (não o do PPS!), um notório anarquista,psiquiatra, sociólogo, filósofo, que andava meio esquecido pela "intelligentsia". Em parte por um boicote de parte retardada da esquerda, em parte pela futilidade que vivemos cada vez mais. E uma pergunta concernente a essa geração juvenil atual, me chamou a atenção, que foi a seguinte:
CULT- Após trabalhar tantos anos com os jovens (terapias, iniciativas culturais e ativismo político), quais as principais diferenças que você observa nos hábitos da juventude que você conheceu e a de hoje?
Roberto Freire- eu praticamente trabalhei só com a juventude de classe média desde os anos 1960. a diferença básica é que o jovem hoje quer se divertir, e para se divertir ele acha que precisa de dinheiro. E para existir dinheiro é preciso o capitalismo. Então eu sinto que eles não têm interesse mais, nem falam em revolução social. Eles aceitaram esse pseudo-social do capitalismo como o bastante. Os jovens de classe média vão buscar a sua profissão, se preocupam com a situação social do Brasil e de outros países, mas não militam. São poucos os militantes políticos. Espera-se que, se a economia atingir um determinado nível, a classe média vai ficar bem. E a classe média ficando bem, eles acham que o país está bem. Mas ninguém está preocupado com o operariado. Só os camponeses. Os próprios operários estão preocupados em subir de operário a mestre, de mestre a capataz. para chegar de capataz a um estudante universitário. Tudo dentro do mesmo regime. Eu fico horrorizado quando os partidos e sindicatos resolvem fazer grandes encontros no Pacaembu, por exemplo. Eles lotam o estádio, mas o que há de diferente? Por que vai tanta gente? A primeira vez que eu fui eu fiquei escandalizado: convocam, para uma reunião sobre problemas políticos, show de cantores, sorteio de carros, geladeiras e casas! Ou seja, colocam no coração do proletário a visão capitalista: solução dos problemas econômicos.

Quando esse ciclo será rompido, e quebraremos esses grilhões da exploração capitalista? Jamais...Talvez... O tempo parou em nós!

Escrito por Dostuc às 18h14
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10/06/2005


Argentina, Argentina!

Fotos: Os dois algozes da "selecinha brasileira", Riquelme e Crespo!

Simplesmente humilhante! Minha querida seleção argentina trucidou a seleção brasileira, e fez-=se justiça. A Argentina é, e sempre foi melhor que o Brasil. E a vitória de ontem só veio a confirmar isso! Rumo ao tri, 2006! Robinho, Ronaldinho, Adriano? Sou mais Saviola, Riquelme e Crespo!
E vejam o que o "Olé" falou: (Seria bom que Casagrande, Galvão e cia. limitada lessem isso com muita atenção, e segurassem as lágrimas, hahahahha!)
"Não há desculpa, Brasil!Que frio, Brasil! Tanto falaram que era um amistoso, que viriam para se divertir, mas quando começou o 'olé', o toque, o baile, por que quando perceberam que viria um baile histórico, se esquentaram um pouquinho! É proibido dançar contra o Brasil? Foi um baile, tango, samba, o ritmo que você mais goste. Mas não podemos nos equivocar: o verdadeiro baile tem sede na Alemanha. Nós já estamos convidados. Que linda maneira de jogar!"
 A única coisa que eu acho impressionante é a cara de pau de Parreira e alguns comentaristas brasileiros de dizer que a Argentina só jogou no primeiro tempo. Oras, estavam ganhando de 3x0, pra quê correr mais? Que eu saiba um jogo consiste em 90 minutos, e o placar ao final dos noventa minutos foi: Argentina 3x1 Brasil. E ponto final.

Escrito por Dostuc às 00h03
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