Pensamentos mais-que-imperfeitos!


29/05/2005


Ciúmes de amigos

Foto: Vinicius de Moraes, Tom Jobim e (é ele mesmo!) Chico Buarque.

 

Falando em Tom, Eu estava lendo uma entrevista que o Chico Buarque concedeu em 1996, para o site do Tom Jobim, dois anos após a morte deste, e ele falou algumas coisas interessantes sobre os bastidores das grandes parcerias de MPB. Principalmente os ciúmes que o Tom tinha do Vinicius. Vale a pena ler esse trechinho abaixo.

 

Luiz Roberto - Quando é que você conheceu o Tom pessoalmente?

Chico Buarque - Foi bem depois. Eu fui levado à casa dele pelo Aloisio de Oliveira. A casa lá em Ipanema, na rua Nascimento Silva. O Aloisio me fez cantar o Pedro Pedreiro, que foi a primeira música que eu gravei . Eu não tinha gravado ainda, então foi entre 64 e 65, uma coisa assim. O Tom muito simpático, muito receptivo, e tal...

Luiz Roberto - E o Tom conhecia você?

Chico Buarque - Não, ficou conhecendo ali.

Luiz Roberto - Mas já tinha ouvido músicas tuas?

Chico Buarque - Não, eu não tinha gravado nada ainda, o Aloisio... talvez eu fosse gravar na Elenco e acabei gravando na RGE. Eu toquei essa música, não sei se outras também, enfim... toquei porque ele me mandou tocar, mas fui lá para ver o Tom. E pronto, foi um contato rápido e depois o Tom foi para os EUA, parece... e só viemos a ter um convívio maior quando ele voltou dos EUA, quando começou a nossa parceria, já em 67.

Chico Buarque - Naquela época eu morava na rua Dias Ferreira, no Leblon, perto da casa dele, e ele morava na Codajás. Quer dizer, dava para ir a pé. Eu ia muito à casa dele, conheci muito a casa dele, mil histórias. O piano que eu comprei foi Tom que foi comigo, me levou num lugar na Lapa e ele mesmo escolheu o piano. Foi quando eu comecei a estudar música. Porque eu não tinha conhecimento teórico nenhum, tocava de ouvido, e a minha primeira parceria com ele foi nessa época: o "Retrato em Branco e Preto".
E foi um pouco o Vinicius também que aproximou a gente.

Luiz Roberto - Sem ciúmes?

Chico Buarque - Ciúmes disfarçados. Grandes ciumes disfarçados.

Luiz Roberto - Como foi isso? Ele tinha ciúmes, mas aproximou vocês.

Chico Buarque - O Tom morria de ciúmes do Vinicius: (imitando o Tom) "Ah, o Vinicius fica fazendo letra pra todo mundo, pra qualquer um..." (risos) "Ele conheceu um rapaz de Juiz de Fora e já saiu fazendo músicas..." (risos) Tinha um fundo de ciúmes bravo aí...
Vinícius foi sempre muito carinhoso comigo, até por essa relação de família. Quando ele ia a São Paulo ele ia muito à casa da Rua Buri, e então, nessa época, eu me lembro muito de Vinicius com Baden e com Alaíde Costa; lembro do Baden cantando as parcerias com Vinicius pela primeira vez, lá em casa, "O samba da benção", e tal... E eu ainda não conhecia o Tom - o Vinicius foi muito generoso me apresentando a ele.

Luiz Roberto - Mas ele de alguma forma estimulou vocês para uma nova parceria, ou isso aconteceu naturalmente?

Chico Buarque - Ele sabia o que estava fazendo... Não sei te dizer porque, mas o Vinicius a partir de uma certa época deixou de fazer música com o Tom. Eles continuaram amigos até o fim. Amicíssimos.
Vinicius fez música com o Carlos Lyra, com o Baden Powell, com todo mundo. Com todos os grandes, não é?

Luiz Roberto - Com os pequenos também, muitos...

Chico Buarque - E muitos desconhecidos. E parou de fazer músicas com o Tom - eu nunca soube de nenhum problema entre os dois, pelo contrário, eles se encontravam muito, na época eles iam ao Antonio's, bebia-se muito e tal... No Antonio's, Vinicius, Tom, eu e mais tanta gente. Sempre foram grandes amigos, nunca me explicaram, não sei o que houve.

 

Já disse Vinicius: "O ciúme é o perfume do amor". Mesmo entre amigos...

 

 

 

Escrito por Dostuc às 16h00
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O representante da Al Qaeda na música

Hoje, recebi um e-mail, de um colega meu, com um link e uma mensagem dizia o seguinte: "Cara, você vai ficar doido ao ouvir isso...huahuahua..". Quase tive uma crise de pânico ao ouvir o que era. Era o Zé Ramalho cantando músicas do Tom Jobim.

Zé Ramalho faz até umas músicas interessantes, participações legais como nesses últimos álbuns do "Grande Encontro", mas quando ele resolve "homenagear"... É algo que mata o morto duas vezes.

Eu tenho o CD em que ele faz um tributo ao Raul Seixas, e não recomendo que ninguém compre, é só me pedir que eu dou. Uma porcaria. Eu não sei o que ele quis fazer naquele CD, é um daqueles mistérios insolúveis. Um horror. Tadinho do Raul.

Não satisfeito em manchar a obra do Rei do Rock (Roberto Carlos é Rei só na Globo), Ramalho faz terrorismo com as canções do Tomzinho. É lastimável, eu só espero que isso só fique na internet e ele não resolva gravar um CD. E mesmo se quiser, tomara que o Paulo Jobim (detentor dos direitos do Tom) não autorize. Pois caso ele gravasse, se assemelharia aos talibãs bombardeando as esculturas milenares budistas.

            Tomara que ele continue gravando O Grande encontro 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10... e esqueça o Tom Jobim. Ou então, que regrave músicas de grupos que não tem mais como estragar de tão ruins. Quer uma lista? É fácil: Charlie Brown Jr, Jota Quest, Ivete Sangalo, Sandy e Jr, Bruno e Marrone. Na ala internacional: Evanescence, Linkin Park, Britney Spears, Melanie C, Blink 182.... Enfim, lixo é o que não falta para reciclar!

 Só não mexa com coisa boa, Zé Ramalho. Deixe o Maestro Soberano quietinho, "bichin"!

 

Escrito por Dostuc às 15h56
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